Pesquisas alertaram, mas Marconi Perillo não entendeu que sua rejeição trava qualquer projeto majoritário
Por Redação — Jornal Opção

O ex-governador Marconi Perillo, do PSDB, ficou conhecido por ser um articulador político hábil e examinar as pesquisas de intenção de voto e qualitativas com extrema atenção. Por isso foi eleito governador de Goiás quatro vezes.
Porém, perdeu duas eleições para senador e corre o risco, na disputa deste domingo, 4, de ficar em terceiro lugar, atrás até mesmo de um quase neófito, Wilder Morais, do PL.
O que realmente aconteceu com Marconi Perillo?
Marconi Perillo subestimou Daniel Vilela, que, conectado aos tempos modernos, acabou por devorá-lo política e eleitoralmente. O emedebista fez uma campanha propositiva e caiu no gosto dos eleitores. Há uma espécie de energia positiva em torno do jovem
Primeiro, desaprendeu a arte de ouvir os que criticam — optando por circular com aqueles que só o elogiam. Tais aliados não ajudam a pensar. Pelo contrário, são aliados das derrotas.
Segundo, o tucano-chefe não leu, de maneira cuidadosa, as pesquisas de intenção de voto e as pesquisas qualitativas. A rejeição de Marconi Perillo escancarou a realidade — os eleitores de Goiás não o queriam na disputa para o governo do Estado no pleito deste ano.

Mesmo com uma rejeição instransponível, adulado por alguns aliados — que, na prática, são seus adversários —, Marconi Perillo decidiu ser candidato a governador. Repetiu o Iris Rezende de 1998, 2010 e 2014. Tornou-se aquele que derrotou três vezes.
Terceiro, Marconi Perillo subestimou o governador Daniel Vilela, do MDB, que, mais conectado aos tempos modernos — portanto, aos goianos —, acabou por devorá-lo política e eleitoralmente. O emedebista fez uma campanha tranquila, propositiva, sem ataques, e caiu no gosto dos eleitores. Há uma espécie de energia criativa e positiva em torno do jovem de 42 anos.
Por fim, Marconi não soube fazer alianças razoáveis. Por exemplo, com o PT de Adriana Accorsi, Rubens Otoni, Luis Cesar Bueno e Kátia Maria. Esperava obter votos entre os eleitores de direita, mas não deu certo. Então, ao ficar sem a esquerda e sem a direita, acabou ficando sozinho — isolado.
Dizem que Marconi Perillo não se atualizou. De fato, é um defeito grave. Mas há outros problemas, apontados acima.

Para ter condições de disputar cargo majoritário, depois de duas derrotas consecutivas para o Senado, o político precisa ter humildade e ser candidato a cargo proporcional.
Para se recolocar na política de Goiás, com o qual perdeu conexão, Marconi Perillo deveria ter disputado mandato de deputado federal. Mas a mosca da vaidade — prima da mosca azul — não permitiu que o tucano percebesse o qual real da política de Goiás. Durante a campanha, o tucano falou de um Estado que não existe mais, que ficou no passado.
As pesquisas sinalizaram, desde a primeira, que o quadro de Goiás era de continuidade, e não de oposição. Marconi Perillo não percebeu isto, talvez por “abrir” os ouvidos só para os aduladores.
O que Marconi Perillo fará daqui pra frente? Se disputar a Prefeitura de Goiânia, cidade onde é muito rejeitado, poderá ser derrotado pela quarta vez. Deveria disputar a Prefeitura de Pirenópolis ou de Palmeiras de Goiás (E.F.B.)
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Fonte: Jornal Opção