Fechamento de consulados dos EUA no Brasil visa criar clima de pânico e interferir nas eleições, analisa internacionalista
Por José Bernardes — Brasil de Fato
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Nesta sexta-feira (2), os Estados Unidos anunciaram a interrupção das atividades consulares no Brasil “por questões de segurança”. O anúncio, a dois dias do primeiro turno das eleições brasileiras, seria motivado por uma suposta ameaça de bomba.
No final da tarde desta sexta, a Polícia Federal (PF) divulgou uma nota em que informa que “dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal” foram realizados “para apurar suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos EUA no Brasil. Trata-se de ação preventiva adotada em investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal e fruto da cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras”.
Para Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, é mais uma tentativa dos EUA de gerar pânico para tentar beneficiar o candidato Flávio Bolsonaro (PL), assim como o governo Trump tem feito com outros países da América Latina.
“Esses acontecimentos são preocupantes, porque servem para criar um clima de pânico entre a população, de tentar passar uma imagem de que o Brasil é um lugar inseguro. Isso é muito relevante num contexto de eleições, porque pode ser depois utilizado pelos Estados Unidos como uma justificativa para dizer: ‘Olha só, eh, não houve lisura naquele processo eleitoral, razão pela qual nós estamos tomando essas devidas providências’”, destaca em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Leães remonta o histórico dos últimos meses, que indicam riscos reais de interferência de Trump no processo eleitoral brasileiro, começando pelo tarifaço sobre produtos brasileiros e o enquadramento das facções PCC e CV como organizações terroristas, e chegando ao documento produzido por congressistas estadunidenses manifestando preocupação sobre a ingerência e o alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
“É mais um daqueles episódios em que a gente vê a fumaça, porque provavelmente tem fogo. A gente está sentindo o cheiro de que essas coisas estão vindo a acontecer. Ainda tivemos a denúncia de que os Estados Unidos gastaram US$ 1 milhão contra o STF aqui no Brasil. No dia 1º de outubro, Trump diz que está acompanhando a eleição brasileira muito de perto e, agora, no dia 2 de outubro, nós tivemos a suspensão dos serviços consulares. Quando a gente olha para esse quadro todo, é preocupante”, resume.
O professor considera muito difícil saber com exatidão para onde esses movimentos estadunidenses vão. Mas reforça que, de fato, há em curso uma tentativa de interferência no processo eleitoral. “Estão tentando criar um cenário mais favorável para que o Flávio vença as eleições, porque é claro que eles preferem não intervir no Brasil, eles preferem uma ação que não implique esse tipo de custo, esse tipo de desgaste”, pondera Leães.
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato