Fachin pede que PF informe envolvimento de ministros no caso Master
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2/10/2026 | Atualizado às 16:40
O presidente do STF, Edson Fachin, enviou nesta sexta-feira (2) ofício ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e pediu que informações sobre eventual envolvimento de ministros no caso Master sejam encaminhadas integralmente à presidência da Corte. Fachin disse que dará os encaminhamentos cabíveis quando receber relatório, expediente ou conjunto de dados que reúna, sem exceções, todos os fatos relacionados.
No documento, Fachin ressalta que a apuração deve respeitar as competências atribuídas ao tribunal. Ao mesmo tempo, defende a autonomia dos órgãos responsáveis pela investigação e pela persecução penal.
O ministro declarou haver “inequívoco interesse institucional” para que “todo e qualquer fato relevante seja rigorosamente apurado”. Também defendeu que os fatos sejam esclarecidos “sem qualquer exceção de fato ou de pessoa”.
O ofício foi enviado após a PF pedir uma reunião com Fachin para discutir o tratamento de informações relacionadas a ministros encontradas nas apurações sobre o Banco Master. Fachin confirmou a audiência.
“Rigor de competências”
No novo ofício, Fachin sustentou que o recebimento integral dos dados pela presidência é necessário para assegurar o “rigor na observância das regras de competência” no inquérito; e ressaltou que eventuais ilícitos devem ser investigados com respeito ao procedimento legal e às atribuições de cada instituição.
Segundo Fachin, a atuação coordenada entre PF, Ministério Público e Judiciário é essencial para que “nenhum fato relevante deixe de ser apurado” e para que cada órgão permaneça dentro dos limites de suas atribuições constitucionais.
Crise e vazamentos
O STF vivencia uma disputa interna desde o início de setembro sobre o tratamento das informações do caso Master. O episódio se intensificou após André Mendonça retirar o sigilo do relatório da PF que reuniu mensagens e conversas encontrados no celular de Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes. Fachin passou então a concentrar procedimentos relacionados ao caso e chegou a suspender decisões conflitantes de ministros sobre a atuação da cúpula da PF.
A crise também expôs divergências sobre o acesso e a divulgação do material apreendido. Moraes acusou Mendonça de liberar documentos de forma seletiva, enquanto outros ministros cobraram acesso integral aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Em 11 de setembro, a disputa levou à produção de oito ofícios e despachos em cerca de duas horas, com acusações e contestações entre integrantes da Corte.
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Fonte: Congresso em Foco