‘O Brasil merece comentaristas políticos melhores’, diz Celso Rocha de Barros (vídeo)
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O sociólogo Celso Rocha de Barros, doutor pela Universidade de Oxford, criticou duramente a postura da grande imprensa e de analistas políticos diante do cancelamento do último debate presidencial antes do primeiro turno na TV Globo.
Em gravação divulgada em seu perfil no Instagram na madrugada desta sexta-feira (2), Celso Rocha de Barros analisou o cenário que levou ao cancelamento do confronto televisivo, ressaltando que a ausência do presidente Lula (PT) e do candidato Flávio Bolsonaro (PL) se deu por escolhas de estratégia eleitoral. “O debate da Globo foi cancelado porque nem o Lula nem o Flávio foram, cada um por seus motivos de estratégia. É legítimo e a gente pode gostar ou não”, afirmou o sociólogo.
A reflexão do acadêmico ocorre após os jornais O Globo e Folha de São Paulo, entre outros veículos, publicarem comentários e editoriais nesta sexta-feira com severas críticas a decisões do Judiciário e ao presidente Lula. O Globo alegou que intervenções judiciais de última hora teriam comprometido a liberdade da emissora para organizar o encontro, ocultando o fato de que Lula preferiu conceder entrevista ao Flow Podcast e Flávio desistiu horas antes. Já a Folha adotou um tom duro acusando magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de prejudicarem a neutralidade das eleições.
Em seu pronunciamento, a TV Globo explicou que a decisão de cancelar o evento se deu após a ministra Estela Aranha, do TSE, proibir a manutenção do púlpito vazio com o nome de Lula e vetar perguntas ao candidato ausente. Além disso, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos, do Missão, e o ex-governador Romeu Zema (Novo) também conquistou o direito de participar do debate via Justiça.
Celso Rocha de Barros rebateu o tom alarmista adotado por comentaristas da grande mídia, sustentando que decisões judiciais fundamentadas vêm sendo indevidamente transformadas em uma falsa narrativa de atuação partidária do Judiciário. “Agora, você dizer que houve censura do STF, você recomendar votar em senador fascista que quer fechar o STF, você escrever ‘editorialzinho’ babaquinha comparando o que o STF está fazendo com o que o Bolsonaro queria fazer se tivesse dado um golpe; cara, tudo isso só prova que você é muito, muito ruim na sua profissão. Você não pode ser analista de política brasileira. Você não estudou o suficiente. Você não se importa o suficiente com política brasileira”, declarou.
O sociólogo também alertou para a falta de responsabilidade dos analistas ao ignorarem os riscos reais que pairam sobre as instituições do país diante das eleições de 2026. “E, sobretudo, você não tem consciência do que é comentar as eleições de 2026 enquanto o Brasil está sob ameaça de intervenção americana e os golpistas de 2022 têm uma possibilidade real de chegar ao poder. Lamento, filho. Se você realmente olhou para esse episódio e achou que isso é uma mega crise institucional que justifica você colocar as instituições brasileiras em questão, enquanto o Trump está querendo se meter aqui e enquanto os bolsonaristas querem tentar outro golpe de Estado, cara, eu torço para você ser um filho da puta. Porque se você não for, você é muito burro. Você não tem talento. Você não deve continuar seguindo a profissão que você está exercendo”, acrescentou.
Ao encerrar seu desabafo, o acadêmico enfatizou a urgência de qualificar o debate público no país frente às ameaças à democracia: “O Brasil, decididamente, merece um nível de comentarista político melhor”.
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Fonte: Brasil 247