Trabalhadores rurais denunciam grilagem de terra, desmatamentos e queimadas em assentamentos no município de Autazes (AM)
Por Daniel Levi — Combate Racismo Ambiental
Trabalhadores rurais denunciam grilagem de terra, desmatamentos e queimadas em assentamentos no município de Autazes (AM)
- 2 de outubro de 2026
- Destaque, Racismo Ambiental
Por Manuel do Carmo Silva Campos, de CPT Amazonas
Trabalhadoras e trabalhadores rurais assentados dos Projetos de Assentamento PA Acará e PA Cabeçudo e das comunidades São Sebastião e Cabeceira do Cabeludo, no município de Autazes (AM), juntamente com instituições e coletivos, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Amazonas, denunciam indícios de grilagem de terras, irregularidades em regularizações fundiárias, desmatamentos e queimadas nos assentamentos do Incra na Região do Rio Preto do Pantaleão.
Segundo as comunidades, que foram assentadas nos módulos normais conforme a Lei de Assentamento, existem inúmeras irregularidades desde grilagens de terras, ou seja, fazendeiros com fazendas de gado branco e búfalos, fora do perfil e de características de destinatários para a Reforma Agrária. São fazendeiros de alto padrão econômico, que, não se sabe como, grilaram até seis lotes de ocupações.
Informações dão conta da existência de um facilitador dessas grilagens e regularizações ilegais, pela mediação de um funcionário do Incra de Careiro Castanho/AM, em consonância com um fazendeiro e vereador de Autazes, que também seria possuidor de vários lotes no Assentamento PA Acará.
Segundo trabalhadores rurais desses assentamentos, a atuação dos servidores do Incra em Careiro Castanho é bastante burocrática para os pequenos agricultores, enquanto é muito facilitada para os fazendeiros e grileiros. Para as famílias agricultoras, é exigido que tenham dado entrada no pedido ao Incra, além de dez anos de permanência no lote, exigindo que levem o presidente da comunidade para confirmar como testemunha que os referidos assentados estão no lote há dez anos. Ainda assim, não tem objetivado a aquisição do documento, título definitivo do lote. Já para os fazendeiros grileiros, os documentos saem com a maior facilidade.
Esses fatos chegaram a CPT Regional Amazonas desde o início deste ano de 2026 e se acirraram nos meses de junho, julho, agosto e setembro, devido à grande derrubada de floresta, inclusive castanheiras, além de queimadas em áreas de conhecidos fazendeiros, provocando uma poluição insuportável de fumaça, que está chegando até Manaus e redondezas.
Diversos destes fazendeiros são acusados de grilagem de terras e desmatamento ilegal. Esse quadro devastador informado parece afrontar as autoridades e leis brasileiras, demonstrando certa fragilidade do Estado Brasileiro, contrariando toda a nossa Carta Magna Constitucional de 1988 e o Código Civil Brasileiro.
Diante dessas informações, as comunidades e organizações solicitam investigação, fiscalizações severas a esses fatos e punições aos infratores de acordo com as leis, bem como a retirada de todos os fazendeiros e ocupantes ilegais, grileiros, que não têm perfil e características para a reforma agrária. E que essas terras sejam ocupadas por trabalhadores rurais da agricultura familiar, que precisam dela para trabalhar e viver com dignidade.
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Edição: Carlos Henrique Silva (Comunicação CPT Nacional)
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Fonte: Combate Racismo Ambiental