Eduardo Paes acusa campanha adversária de distribuir dinheiro vivo e diz ter levado informações à PF
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) afirmou ter encaminhado à Polícia Federal informações sobre uma candidatura adversária que, segundo ele, estaria movimentando dinheiro em espécie na reta final das eleições de 2026. A acusação foi feita na noite desta quinta-feira (1º), a poucos dias do primeiro turno.
Paes declarou em uma publicação na rede social X possuir informações sobre pessoas e empresas supostamente envolvidas na movimentação dos recursos. O candidato, no entanto, não identificou qual adversário seria alvo da denúncia nem apresentou publicamente as evidências que disse ter entregue às autoridades.
“Só um registro importante para a Polícia Federal: tenho informações muito firmes de que uma candidatura adversária está circulando dinheiro vivo à vontade”, escreveu Paes.
O candidato do PSD acrescentou que já havia fornecido à PF dados sobre pessoas e empresas que teriam interesses no estado. A publicação levantou suspeitas sobre uma possível tentativa de compra de votos, embora Paes não tenha detalhado publicamente como o dinheiro estaria sendo distribuído nem apontado nominalmente os responsáveis.
A acusação ocorre nos últimos dias de uma disputa marcada pela polarização entre Paes e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL). Apesar desse contexto, a mensagem publicada pelo candidato do PSD não menciona Ruas, o ex-governador Cláudio Castro (PL) ou qualquer outra candidatura.
Paes lidera disputa pelo governo do Rio
A denúncia surge enquanto Paes mantém a liderança na corrida pelo Palácio Guanabara, mas enfrenta Ruas como seu principal adversário.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostrou Paes com 42% das intenções de voto totais, seguido por Ruas, com 31%, e Anthony Garotinho (Republicanos), com 7%. Considerando apenas os votos válidos, o candidato do PSD registra 47%, ante 35% do adversário do PL.
O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Durante a campanha, Paes tem procurado vincular Ruas ao grupo político que comandou o governo fluminense durante a gestão de Cláudio Castro. Ruas, por sua vez, tem buscado consolidar o eleitorado ligado ao bolsonarismo.
Eleição ocorre após crise no governo estadual
A disputa pelo governo do Rio acontece em meio a uma crise política no Executivo estadual. Cláudio Castro renunciou ao cargo em março, e o estado passou a ser comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto.
Castro deixou o governo na véspera de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico relacionado às eleições de 2022.
O episódio envolvendo a denúncia de Paes também ocorre em um momento no qual autoridades eleitorais e policiais intensificaram ações contra suspeitas de irregularidades na campanha em diferentes estados. No Amapá, por exemplo, a PF e o Ministério Público Eleitoral apreenderam mais de R$ 1,8 milhão em espécie nesta quinta-feira durante uma investigação que apura suspeitas de compra de votos, coação eleitoral e utilização irregular de programa social.
No Pará, outra investigação sobre possível corrupção eleitoral resultou, no domingo (27), na apreensão de R$ 87,4 mil em espécie. Parte do dinheiro estava em envelopes identificados com nomes de pessoas e acompanhados de uma relação de nomes e assinaturas de recebimento, segundo a Polícia Federal.
Só um registro importante para a Polícia Federal: tenho informações muito firmes de que uma candidatura adversária está circulando dinheiro vivo à vontade com o desespero da iminente derrota.
É bom os órgãos de fiscalização ficarem atentos para segurar a onda dessa máfia que…— Eduardo Paes (@eduardopaes) October 2, 2026
Fonte: Brasil 247