Lula e Flávio focam atos no Sudeste diante de disputa acirrada às vésperas do primeiro turno
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Os dois candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto chegam às vésperas do primeiro turno concentrando seus esforços no Sudeste, região que reúne os maiores colégios eleitorais do país. O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) farão seus últimos atos de campanha no estado de São Paulo no sábado (3), além de cumprirem agendas estratégicas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro nesta reta final.
A movimentação intensificada ocorre após a divulgação da mais recente pesquisa Datafolha, que aponta Lula com 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 38%. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os candidatos permanecem em situação de empate técnico. Em relação ao levantamento anterior, quando o presidente registrava 40% e o senador marcava 36%, ambos oscilaram dois pontos positivamente. Em um eventual segundo turno, o cenário de igualdade no limite da margem de erro se repete, com Lula somando 48% e Flávio atingindo 45%.
O levantamento do Datafolha ouviu 2.506 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 28 e 30 de setembro. Trata-se da primeira sondagem realizada após a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida, ocasião em que o candidato do PL foi alvo de conteúdos nas redes sociais que afirmavam que ele retiraria da santa o título de padroeira do Brasil.
Para a véspera do pleito, no sábado, Lula planeja uma caminhada na Avenida Paulista, em São Paulo, repetindo a estratégia adotada na véspera do primeiro turno das eleições de 2022. O ato na capital paulista será realizado em conjunto com Fernando Haddad (PT), candidato ao governo do estado, e com as candidatas ao Senado na mesma chapa, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
A estratégia petista visa mitigar o histórico de derrotas do partido no estado de São Paulo, apesar dos desempenhos favoráveis na capital. Por essa razão, além da escala de quatro ex-ministros para a disputa no estado, Lula busca reforçar a presença física para assegurar uma votação mais expressiva no domingo. A campanha também lançou a mobilização “48 horas com Lula”, convocando a militância para intensificar a busca por votos de indecisos nas ruas e redes por meio de panfletagens, bandeiraços, carreatas e visitas de porta em porta. Nesta sexta-feira (2), o presidente cumpre agenda na Candelária, no Centro do Rio de Janeiro, pela manhã, e na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, no período da tarde.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro realiza agenda nesta sexta-feira em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, e cumpre compromisso no interior paulista com uma carreata saindo de Santa Bárbara D’Oeste em direção a Americana. O evento terá a participação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e dos candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
A aproximação entre Flávio e Tarcísio ganhou tração no trecho final da campanha, após um período inicial de maior distanciamento. Na semana anterior, o postulante do PL e o governador paulista realizaram caminhadas no Centro de São Paulo, passando pelo comércio popular do Brás ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e visitando o Mercado Municipal, além de terem comparecido juntos ao rodeio de Jaguariúna no dia 25 de setembro.
O levantamento do Datafolha indica ainda que Lula e Flávio mantêm os maiores índices de rejeição entre todos os concorrentes ao Planalto, ambos registrados com 45% de recusa entre o eleitorado — patamar idêntico ao apurado na pesquisa de 24 de setembro.
Em relação à avaliação da gestão federal, 49% dos eleitores desaprovam o trabalho de Lula como presidente, enquanto 48% aprovam o seu terceiro mandato e 3% não souberam responder, dados que demonstram estabilidade comparados ao levantamento anterior (que apontava 50% de desaprovação e 47% de aprovação). O pico de desaprovação do governo no ano ocorreu em abril, quando atingiu 51% contra 45% de aprovação; em julho, a avaliação positiva chegou a superar numericamente a negativa (49% contra 48%), antes de a reprovação voltar a ser numericamente maior.
Fonte: Brasil 247