Frente no DF lança carta de propostas para o próximo governo solucionar crise na saúde
Por Redação — Brasil de Fato
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Na reta final da eleição, a Frente em Defesa da Saúde no Distrito Federal convocou as candidaturas ao governo para firmar um compromisso com a reestruturação da saúde pública a partir de 2027. A iniciativa elaborou um diagnóstico e construiu 66 propostas para enfrentar “o caos sanitário”. As soluções abordam desde a gestão do orçamento até a rede assistencial, filas, infraestrutura hospitalar e recomposição da força de trabalho.
A atual governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), e o candidato Leandro Grass (PT) participaram do ato de assinatura da carta compromisso na manhã desta quinta-feira (1º), na sede do Conselho Distrital de Saúde. Outros candidatos, como Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB) assinaram a carta no período da tarde.
O presidente do colegiado, Domingo de Brito, afirmou que a iniciativa é uma resposta da sociedade diante da crise. “A saúde vive hoje um caos que há muito já deveria ter sido corrigido. Precisamos do compromisso dos candidatos para que, lá na frente, não digam que não foi acordado. Está aqui a carta para que esse compromisso seja aceito e assumido perante a sociedade de que a saúde realmente vai melhorar”, pontuou.
O documento foi elaborado por um amplo conjunto de conselhos, sindicatos e associações representativas da área da saúde, medicina, psicologia, enfermagem, assistência social e odontologia que integram a Frente em Defesa da Saúde do DF. Ao longo da carta, estão detalhadas propostas de longo prazo para fortalecer a rede e recuperar a capacidade de atendimento.
Sem citar nomes, Domingo de Brito fez críticas ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem Celina foi vice, por descumprir promessas eleitorais relacionadas à saúde. “Nós tivemos, recentemente, um governador que disse que não haveria terceirização. No seu segundo dia de mandato, aconteceu tudo ao contrário. Ampliou os braços da terceirização e o caos da saúde que temos hoje”, relembrou o presidente do Conselho de Saúde do DF.
Neste ponto, a carta situa que a composição da força de trabalho da saúde deve priorizar vínculos próprios e apenas utilizar “contratações temporárias, terceirizadas ou outras modalidades excepcionais de forma complementar e pelo período necessário, sem substituição estrutural dos cargos permanentes”.
Lívia Vanessa Ribeiro Gomes Pansera, presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-DF), destacou o convite para que as candidaturas se somem na mesma intenção de melhorar a saúde no DF. O planejamento inclui pontos críticos como a atenção primária, especializada, rede de urgência e emergência, saúde mental, financiamento, saúde do trabalhador, vigilância à saúde, entre outros.
“Sempre tentamos um diálogo mais estreito com o GDF, infelizmente, em vários momentos não conseguimos essa interlocução necessária. Nesse momento em que estamos nos aproximando das eleições é muito importante expor novamente o nosso diagnóstico em relação à saúde do DF, e principalmente as propostas. Estamos enfrentando uma situação muito grave”, afirmou a médica.
Pela manhã, o candidato do PT ao governo afirmou que construiu um plano para enfrentar a crise da saúde no DF deixada pelo governo Ibaneis e Celina ouvindo a população, servidores e especialistas. Grass criticou o avanço das privatizações e terceirizações e a criação do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) no governo Ibaneis, que acumula denúncias de desvios no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).
“Estive em todos os hospitais e UPAs várias vezes. O que acontece na ponta é falta de insumo, equipamento, equipes incompletas, problemas de ordenamento e fluxo. Vimos problemas de abastecimento na pandemia, servidores adoecidos, que não tinham condições de trabalho. Essa crise é concreta e prática. Infelizmente, o Ibaneis foi reeleito e está aí o resultado: maior tempo de espera da fila do SUS é no Distrito Federal, pior saúde bucal, segunda pior saúde mental”, listou Leandro Grass.
Ao receber o documento, Celina Leão disse que o debate da saúde tem que ser feito sem politização ou ideologias e apontou as ações que têm realizado à frente do Governo do DF. “Acredito na atenção básica e no SUS. Tudo o que nós estamos vivendo foram construções de vários governos, mas não vou politizar, nos interessa o que nós temos daqui pra frente. E temos hoje dois sistemas que não se comunicam, isso é um fato, que é o Iges e uma rede pública de saúde”, apontou.
A candidata disse que, se eleita, pretende montar um grupo de trabalho para acompanhar as ações da saúde e “vamos ter um diálogo franco, respeitoso e colaborativo”.
Já Paula Belmonte criticou as privatizações, afirmando que a crise na saúde resulta em lucro para os empresários da área. “A saúde vive um sucateamento proposital porque há muitas empresas que estão sendo beneficiadas com isso”, disse.
Ela também lembrou dos profissionais da saúde que sofrem as consequências do desmonte no dia a dia. “A saúde das pessoas quando a gente fala não é só o atendimento no hospital, na UBS, é a saúde das pessoas, quem faz a saúde também, quem cuida, então estamos falando de uma população”, completou.
O presidente do Sindicato dos Enfermeiros do DF, Jorge Henrique, por sua vez, afirmou que a convergência das entidades expressa o esforço de todas as categorias que estão na ponta do serviço de apresentar soluções.
“A população se encontra numa situação de penúria, procurando atendimento na rede assistencial, e, devido ao processo de terceirização e fragmentação da saúde, hoje a gente tem uma rede que não consegue ofertar um serviço de qualidade”, relatou.
Representando o Conselho Regional de Enfermagem do DF, Marôa Santiago, destacou a dimensão da saúde pública que impacta na vida de toda a sociedade, por exemplo, na cobertura vacinal ou tratamento de doenças infectocontagiosas. “O que acontece de forma desatenta na saúde individual impacta na saúde coletiva. O perfil epidemiológico vai sofrendo transformações e modificações que, para você trazer de volta, com os princípios e diretrizes do SUS, se torna uma tarefa mais difícil”, alertou.
O enfermeiro Jorge Henrique ainda citou que o momento é decisivo para saber quais serão as prioridades dos candidatos no orçamento, sobretudo em meio ao comprometimento do Banco de Brasília (BRB) no caso Master, e como isso poderá afetar os serviços públicos.
“A gente vê um escândalo tomando conta do Distrito Federal, no caso do Banco Master, numa situação em que a gente precisa cada vez mais de investimento para recompor força de trabalho, ampliar atenção primária, secundária e especializada para ofertar procedimentos, exames e atendimentos dignos à população”, disse.
“É importante que os candidatos estabeleçam um compromisso para que a gente possa melhorar a saúde pública do DF, que passa por uma crise sanitária. A população está sendo prejudicada e os servidores estão adoecendo”, finalizou.
O presidente do Conselho de Saúde do DF reforçou que os candidatos que assinarem estarão comprometidos em levar adiante todas as propostas. “Aquele que for eleito terá a assinatura dele no papel. Não adianta desacatar aquilo que ele concordou, que está escrito na carta. Então, esse momento é especial com aqueles candidatos que concordaram vir aqui, mostrar à sociedade que querem uma saúde melhor. Não adianta prometer no papel, tem que cumprir essa carta que vai assinar hoje”, completou Brito.
A Frente em Defesa da Saúde no DF é formada pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), Conselho de Saúde do Distrito Federal (CSDF), Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF), Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF), Conselho Regional de Psicologia (CRP-DF), Conselho Regional de Serviço Social da 8ª Região, Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro), Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Sindicato dos Odontologistas do Distrito Federal, Associação Brasiliense de Medicina de Família e Comunidade (ABMFC) e Associação Brasileira de Enfermagem – Seção DF.
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Fonte: Brasil de Fato