Trump diz acompanhar de perto eleição no Brasil e classifica pleito como “muito importante”
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que acompanha “bem de perto” as eleições brasileiras e classificou o pleito como “muito importante”. A declaração ocorre na reta final da campanha para o primeiro turno, marcado para domingo (4).
Segundo o UOL, Trump foi questionado por uma jornalista sobre o cenário eleitoral brasileiro e sobre a importância do Brasil para a região. O presidente estadunidense respondeu de forma breve e não citou nenhum dos candidatos que disputam a Presidência.
“É um país incrível, o povo é fantástico, é uma eleição muito importante”, afirmou Trump.
A manifestação ganha relevância diante das preocupações manifestadas no Brasil nos últimos meses sobre uma eventual interferência externa no processo eleitoral. O tema entrou na agenda diplomática entre Brasília e Washington em meio à aproximação de integrantes do governo Trump com setores da oposição brasileira.
Relação dos EUA com a eleição brasileira
A disputa presidencial chega à reta final com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados em diferentes levantamentos. Pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, por exemplo, aponta empate técnico entre os dois tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno.
Nos últimos meses, o governo brasileiro passou a demonstrar preocupação com possíveis ações estadunidenses relacionadas ao processo eleitoral. Em agosto, uma fonte brasileira afirmou à Reuters que Brasília via movimentos do Departamento de Estado como tentativas de interferência no pleito. Na ocasião, a reportagem informou que Flávio Bolsonaro havia sido recebido por Trump na Casa Branca e que Washington tentou enviar funcionários ao Brasil para discutir o processo eleitoral, com previsão de encontro com o senador.
O assunto também entrou no radar do governo Lula antes da Assembleia Geral da ONU. Segundo reportagem da Reuters publicada em setembro, o governo brasileiro pretendia defender a soberania nacional e abordar os riscos de interferência externa. A agência registrou ainda que auxiliares de Trump haviam feito manifestações favoráveis ao adversário de Lula, embora o presidente estadunidense até então não tivesse se pronunciado pessoalmente sobre a eleição.
A declaração desta quinta-feira muda esse último ponto: Trump agora reconhece publicamente que acompanha o processo brasileiro, mas não declarou apoio a nenhum candidato em sua resposta.
Governo Trump já acompanhava cenário político brasileiro
A atenção de Washington à política brasileira já havia sido relatada anteriormente. Em setembro, integrantes do governo estadunidense disseram ao UOL que acompanhavam os desdobramentos da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal. A reportagem apontou também divergências internas na administração Trump sobre a postura a ser adotada diante da eleição brasileira.
Na ocasião, uma ala do governo defendia maior envolvimento em favor de Flávio Bolsonaro, enquanto outro grupo preferia uma posição pragmática para preservar as relações com Brasília independentemente do resultado das urnas.
Em contraste, Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, declarou em agosto que não se envolveria na eleição. “Isso cabe aos brasileiros decidir e eles têm um processo eleitoral pelo qual precisam passar em outubro. Quem quer que saia como vencedor será o líder do Brasil e será com quem estarei trabalhando”, afirmou.
Interferência dos EUA entra no radar internacional
A possibilidade de interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira ganhou espaço na imprensa internacional às vésperas do primeiro turno. Veículos como The New York Times, The Guardian, Le Monde e Reuters destacaram a atuação do governo Donald Trump na América Latina, a proximidade de integrantes de sua administração com forças políticas de direita e as medidas adotadas pelo Brasil para proteger o processo eleitoral de pressões externas e campanhas de desinformação.
O New York Times afirmou que autoridades brasileiras reforçaram o monitoramento de lobby estrangeiro, desinformação e alegações falsas de fraude eleitoral. O jornal também relacionou uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro a uma possível ampliação da influência de Washington na América Latina. Já o Guardian avaliou que uma mudança de governo no Brasil teria repercussões regionais e poderia fortalecer a política de maior intervenção dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental atribuída a Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio. Um texto publicado pelo Le Monde e assinado por personalidades como Chico Buarque, Raí, Thomas Piketty e os Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Philippe Aghion também criticou pressões de Washington sobre o Brasil.
A Reuters, por sua vez, informou que representantes da França e da Alemanha estiveram em Brasília em setembro e receberam da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informações sobre supostas interferências dos Estados Unidos e da Rússia no processo eleitoral. Segundo a agência, autoridades brasileiras também acompanham o crescimento de ataques cibernéticos e tentativas de invasão contra órgãos do governo. As preocupações ocorrem após Lula ter afirmado que alertou Trump para não interferir na eleição brasileira.
Eleitores vão às urnas no domingo
O primeiro turno das eleições gerais será realizado neste domingo, 4 de outubro. Além da Presidência da República, os eleitores escolherão governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Caso nenhum candidato à Presidência obtenha mais da metade dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Fonte: Brasil 247