Projeções em seis capitais levam fim da escala 6×1 e taxação dos super-ricos às ruas

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos, o combate às apostas esportivas e a defesa de salários dignos foram projetados em fachadas e espaços públicos de seis capitais brasileiras na noite desta quarta-feira (30). A ação ocorreu simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Belém e Brasília.

A mobilização foi organizada pela Coalizão Vida em Conta, iniciativa articulada pela Plataforma CIPÓ e pelo Transforma que reúne mais de 130 economistas e cerca de 60 organizações da sociedade civil. Segundo os organizadores, o objetivo é aproximar o debate econômico das condições concretas de vida da população.

Nas projeções, as principais propostas apareceram como uma equação: “fim da escala 6×1 + fim das bets + taxar os super-ricos + salários dignos = mais vida na conta”. Ao final, as intervenções exibiram a frase “Por um Brasil que leva a vida em conta”.

Em São Paulo, a projeção foi realizada no cruzamento das ruas Caio Prado e Consolação. No Rio de Janeiro, a intervenção ocorreu na esquina das ruas Voluntários da Pátria e Nelson Mandela, em Botafogo, na Zona Sul.

Na capital federal, as imagens foram exibidas na Rodoviária do Plano Piloto. Também receberam as projeções a Avenida Guararapes, no Recife; o Viaduto Otávio Rocha, no Centro Histórico de Porto Alegre; e a Avenida Serzedelo Corrêa, no bairro Nazaré, em Belém.

De acordo com a coalizão, a escolha dos temas busca colocar questões relacionadas ao tempo de trabalho, à distribuição de renda e ao custo de vida no centro da discussão econômica.

“Levamos essa conta para as ruas porque o debate sobre economia não pode ficar restrito a especialistas. Uma economia só é verdadeiramente bem-sucedida quando reduz desigualdades e converte as riquezas e o potencial do país em empregos dignos e qualidade de vida para toda a população”, afirmou Maiara Folly, diretora-executiva da Plataforma CIPÓ.

Coalizão quer ampliar debate econômico

O diretor-executivo do Transforma, Marco Antonio Rocha, afirmou que as projeções representam o início de uma mobilização mais abrangente em torno das propostas defendidas pelo grupo.

“As projeções foram um primeiro passo para ampliar essa conversa. O Brasil precisa de um projeto de desenvolvimento que vá além das metas fiscais, enfrente as desigualdades e gere empregos de qualidade”, declarou.

A mobilização ocorre em um momento de indicadores relativamente favoráveis no mercado de trabalho. Dados do IBGE apontam taxa de desemprego de 5,4% no segundo trimestre de 2026. O IPCA acumulado em 12 meses estava em 4,22% em agosto, enquanto o PIB registrava crescimento acumulado de 1,9% em quatro trimestres até o segundo trimestre.

A Vida em Conta reconhece avanços registrados desde 2023 em áreas como emprego, inflação, pobreza e segurança alimentar, mas sustenta que os resultados podem ser comprometidos por políticas de forte contenção dos investimentos públicos.

Dados oficiais também registraram melhora nos indicadores de segurança alimentar nos últimos anos. Levantamento do IBGE referente a 2024 mostrou que a proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar grave havia recuado para 3,2%.

Documento reúne cinco eixos

Como parte da mobilização, a coalizão apresentou o documento “Diretrizes para um Projeto de País Justo, Sustentável e Soberano”, elaborado a partir de pesquisas e discussões com economistas, movimentos sociais e sindicais, entidades da sociedade civil e representantes dos poderes Executivo e Legislativo.

O texto organiza as propostas em cinco eixos. O primeiro trata da redução das desigualdades de renda, patrimônio, gênero, raça e território. Outro eixo propõe medidas destinadas a reduzir o custo de vida e ampliar o tempo disponível e as condições materiais da população.

A coalizão também defende o fortalecimento da soberania tecnológica brasileira, com políticas de inovação vinculadas ao desenvolvimento sustentável, e a diversificação da estrutura produtiva do país para estimular a geração de empregos considerados de maior qualidade.

O quinto eixo concentra as propostas relacionadas à política fiscal, defendendo mudanças na tributação e na destinação do orçamento público para ampliar o financiamento de políticas voltadas ao bem-estar social.

Fonte: Brasil 247

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