O roteirista do Brasil é Ariano Suassuna, e Nossa Senhora é a força do povo
Por Ricardo Mezavila — Brasil 247
O Brasil descobriu, diante do fenômeno viral com a imagem de Nossa Senhora Aparecida — consagrada padroeira do Brasil —, que temos um roteirista de mão cheia: o imortal Ariano Suassuna.
Como se estivéssemos dentro de O Auto da Compadecida, a história se repete sem a mesma graça, mas com a mesma sabedoria popular e aquele toque de ironia que faz o povo rir para não chorar — e, de quebra, mostrar quem realmente manda no enredo.
A santa, que no clássico é a grande protetora de João Grilo, surge hoje como a voz do Nordeste e de todo o povo brasileiro. Não é por acaso que a imagem se espalha, ganha ruas, lares e conversas por todo o país: é a mesma força que defende o pobre, o esperto, aquele que sobrevive entre as armadilhas dos poderosos.
João Grilo sempre foi o povo brasileiro — simples, perspicaz, devoto e capaz de enxergar muito além do que os senhores corruptos conseguem ver.
E é nesse cenário que aparece a candidatura de Flávio Bolsonaro — uma figura que seria o representante do inferno, que Suassuna teria escrito só para revelar a podridão de suas ligações com o submundo onde rastejam as piores criaturas da política e do falso poder.
Com a pompa de quem acha que herdou o reino, ele entra no palco sem a graça, sem a malícia e, sobretudo, sem a conexão com quem realmente faz o país funcionar. Fala alto, anda com arrogância, mente o tempo todo, mas esquece de esconder o enorme rabo — desconhecendo que, neste espetáculo, ninguém é dono da plateia.
A lição que fica é clara: o povo não se deixa enganar por aparências. Nossa Senhora Aparecida, na pele e na alma de João Grilo, continua sendo a grande protagonista desta história.
Os que pensam que podem governar sem olhar para o povo, que acham que títulos e sobrenomes valem mais que a verdade, vão descobrir — como em todo bom auto — que o roteiro já está escrito, e o final é sempre do lado de quem acredita na justiça e na esperança.
Fonte: Brasil 247