“O ódio e a intolerância se tornaram marcas registradas do imaginário bolsonarista”, diz Freixo (vídeo)

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O candidato a deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ) defendeu nesta quarta-feira (30) a decisão anunciada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que determinou à Polícia Federal a abertura de investigação sobre ataques contra imagens religiosas, entre elas representações de Nossa Senhora Aparecida. 

“O ódio e a intolerância se tornaram marcas registradas do imaginário bolsonarista. Precisamos combater”, escreveu o petista na rede social X. “Não é possível que a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, seja atacada por qualquer razão. Isso não é fake news”. 

Conforme destacou Freixo na plataforma, “os ataques coincidem com o momento em que surge a preocupação em torno da santa não ser mais nossa padroeira, por conta de projetos e declarações de aliados da família Bolsonaro”. 

“Em outubro, vamos dar um recado a essa gente!”, acrescentou o candidato ao manifestar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição marcada para o próximo domingo (4), com possível segundo turno em 25/10.  

Nas declarações, Freixo citou ocorrências em Maceió, Londrina, Rio Grande do Sul, Salvador, Belo Horizonte e Cuiabá e afirmou que a Polícia Federal deve esclarecer a origem e as circunstâncias dos atos. A decisão de Dino, publicada nesta quarta-feira (30), determina a investigação de uma série de ataques contra imagens, igrejas, terreiros e estabelecimentos religiosos. O ministro apontou indícios de crimes como ultraje a culto, preconceito religioso, ameaça, dano, incêndio e violação de domicílio. 

“O ministro Flavio Dino pede corretamente que a Polícia Federal investigue esses ataques. Não é possível, não é tolerável que a padroeira do nosso país seja atacada por qualquer tipo de razão”, afirmou Freixo.

Dino relatou ter recebido notícias de diferentes partes do Brasil sobre o que classificou como uma aparente onda de ataques a imagens religiosas nos últimos meses. Entre os casos mencionados na decisão aparecem episódios envolvendo imagens católicas e espaços de religiões de matriz africana. 

Um dos casos ocorreu em Cuiabá, onde uma imagem de Nossa Senhora Aparecida apareceu quebrada. A decisão também menciona ocorrências em Salvador, Londrina e na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Segundo Dino, a repercussão em vários estados e a possível presença de crimes contra direitos humanos justificam a atuação da Polícia Federal. 

O Brasil não precisa de intolerância! Ministro Flávio Dino mandou investigar a onda de ataques a imagens religiosas no país. Não é possível que a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, seja atacada por qualquer razão. Isso não é fake news. Os ataques coincidem com o… pic.twitter.com/LkDs2Ea7SV

— Marcelo Freixo (@MarceloFreixo) September 30, 2026

Dino cita possíveis crimes de intolerância religiosa

Ao determinar a apuração, Flávio Dino afirmou que as informações reunidas apontam para a possível ocorrência de diferentes crimes. Entre eles estão vilipêndio de culto, preconceito religioso, violência contra práticas religiosas, injúria qualificada por elemento religioso, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio. 

Freixo apoiou a decisão e afirmou que manifestações de intolerância religiosa precisam de investigação.

“Isso é combustível que alimenta intolerância e violência religiosa no Brasil. Por isso que a medida para investigar, fazer com que a Polícia Federal investigue violência religiosa contra a imagem de Nossa Senhora Aparecida, é prudente, é importante, é urgente, é necessária”, declarou.

Ele acrescentou: “Porque, na verdade, o que a gente quer é um Brasil livre da intolerância e livre da violência. O que a gente quer é que as religiões possam conviver”.

A decisão de Dino também alcança ataques contra outras tradições religiosas. Segundo o ministro, as notícias recebidas pelo gabinete tratam não apenas de imagens católicas, mas também de terreiros e espaços vinculados a religiões de matriz africana. 

Flávio Bolsonaro nega intenção de alterar título da padroeira

O presidenciável da extrema direita brasileira, Flávio Bolsonaro (PL), afirma que não pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A campanha classificou essa associação como falsa e acionou a Justiça Eleitoral contra publicações que difundiram a informação. 

A controvérsia também envolve uma declaração do candidato segundo a qual, caso eleito, ele faria uma consagração simbólica do Brasil a Jesus Cristo. Sua equipe declarou que o ato teria caráter religioso e simbólico e afirmou que Flávio respeita diferentes crenças.

O candidato Marcelo Freixo questionou a resposta do candidato e sustentou que os vínculos políticos e religiosos em torno do tema justificam a atenção pública. Ele encerrou sua manifestação defendendo a convivência entre as religiões e manifestando apoio eleitoral ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à própria candidatura a deputado federal.

“E, sim, tem que ser investigado qualquer forma de violência religiosa nesse país. Está certo, o ministro Flávio Dino? O Brasil não precisa de intolerância, o Brasil não precisa de violência. O que a gente quer é que todas as religiões possam conviver em paz”, afirmou.

A Polícia Federal deverá agora conduzir as diligências determinadas pelo Supremo para verificar se os episódios registrados em diferentes estados possuem relação entre si, identificar os responsáveis e apurar a eventual ocorrência dos crimes mencionados na decisão de Dino. 

Fonte: Brasil 247

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