Os 5 melhores países para brasileiros se aposentarem em 2026, segundo novo ranking
Por Sara Magalhães — Seu Dinheiro
E se o plano de aposentadoria também incluísse uma mudança de país? Para brasileiros que pensam em viver no exterior depois de encerrar a carreira, a escolha do novo endereço envolve impostos, facilidade para obter residência, qualidade de vida e até a possibilidade de conseguir uma nova cidadania.
É essa combinação que um novo ranking da Global Citizen Solutions analisou. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (30) avaliou 46 programas de aposentadoria e renda passiva e apontou os cinco países que mais se destacaram em 2026.
A lista considera critérios como qualidade de vida, mobilidade e cidadania, tributação, processo de residência e custos. Mas o ranking não é uma verdade absoluta para todos os casos. Um brasileiro que prioriza uma cidadania europeia, por exemplo, pode chegar a uma conclusão diferente de alguém que coloca impostos e custo de vida no topo da lista.
“Um visto de aposentadoria é uma decisão de alocação de ativos que tem cada vez mais relevância em um contexto de volatilidade e instabilidade: avalie o dividendo de qualidade de vida que ele gera, a exposição tributária de que ele protege e se oferece uma jurisdição-base alternativa, sólida e previamente constituída, para o caso de necessidade futura”, recomenda Laura Madrid, pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions.
Confira abaixo os melhores países para brasileiros se aposentarem em 2026:
1. Uruguai

O Uruguai ocupa o primeiro lugar entre os programas analisados pelo estudo. O país combina proximidade com o Brasil, integração pelo Mercosul e um processo de residência considerado acessível.
O país, inclusive, virou o novo reduto dos super-ricos latino-americanos nos últimos anos. A tributação também ajuda a explicar a posição. Segundo o estudo, o Uruguai conta com um regime territorial e, após mudanças recentes, oferece uma espécie de período de transição para determinados rendimentos de capital de fonte estrangeira.
Para um brasileiro, outro ponto de interesse é a proximidade. Montevidéu fica a poucas horas de voo de cidades brasileiras e o país mantém vínculos econômicos e culturais estreitos com o Brasil.
O programa uruguaio também se destaca pela possibilidade de residência por diferentes vias. O relatório considera que o país apresenta um dos conjuntos mais equilibrados entre mobilidade, custos, processo e qualidade de vida.
2. Portugal

Portugal aparece em segundo lugar e mantém alguns dos principais atrativos para brasileiros que desejam passar a aposentadoria na Europa: idioma, proximidade cultural e acesso ao espaço europeu.
O país também se destaca nos critérios de qualidade de vida e mobilidade avaliados pelo índice. Não à toa, muito ingleses se mudam para lá. Para brasileiros, existe ainda a possibilidade de naturalização após o cumprimento dos requisitos legais aplicáveis aos cidadãos de países de língua portuguesa.
O ponto de atenção, porém, está nos impostos. O regime português passou por mudanças nos últimos anos, com o fim do antigo regime de Residente Não Habitual para novos beneficiários e sua substituição por regras diferentes. O estudo destaca que o atual regime voltado a determinadas atividades qualificadas não foi desenhado para beneficiar especificamente rendimentos de aposentadoria.
3. Espanha

A Espanha aparece na terceira colocação e é o país mais bem avaliado do grupo quando o assunto é qualidade de vida.
O país também chama atenção dos brasileiros pelo caminho relativamente curto para a naturalização de cidadãos de países ibero-americanos. Em determinadas condições, brasileiros podem solicitar a nacionalidade espanhola após dois anos de residência legal e continuada.
A contrapartida, aliás, está na tributação. Segundo o estudo, a Espanha tributa residentes sobre a renda mundial e não oferece um regime específico de tributação favorecida para aposentados que compense esse aspecto.
Na prática, o país pode ser especialmente interessante para quem coloca qualidade de vida e possibilidade de cidadania europeia entre as prioridades, mas a renda e o patrimônio precisam ser analisados antes da mudança de residência fiscal.
4. Costa Rica

A Costa Rica combina um regime tributário territorial com boas avaliações em custos e mobilidade. O programa Pensionado é voltado a pessoas que recebem uma renda regular de aposentadoria e permite estabelecer residência no país.
A principal desvantagem apontada pelo estudo está no processo. O relatório considera o trâmite mais demorado do que o de algumas alternativas analisadas. Ainda assim, a combinação de tributação territorial, estabilidade institucional e qualidade de vida coloca a Costa Rica entre as opções de destaque para quem pretende passar a aposentadoria na América Latina.
5. Paraguai

O Paraguai aparece na quinta posição e se destaca principalmente para quem olha para custo e tributação.
O país adota um sistema tributário de base territorial. Na avaliação da Global Citizen Solutions, isso significa que determinados rendimentos obtidos fora do Paraguai, como uma aposentadoria de fonte brasileira, podem ficar fora da tributação local.
Outro atrativo é a proximidade com o Brasil e a possibilidade de residência por meio das regras do Mercosul. O ponto menos favorável, no entanto, aparece na qualidade de vida, que recebeu uma avaliação inferior à dos países que lideram o ranking. Por isso, o Paraguai pode atrair principalmente quem coloca eficiência fiscal e custos entre as prioridades da aposentadori
E o Brasil?
Já no panorama global, o índice coloca Uruguai, Ilhas Maurício e Espanha na liderança, com Costa Rica e Portugal completando os cinco primeiros colocados entre os mais abrangentes. Enquanto isso, o próprio Brasil aparece na 15ª posição entre os 46 programas avaliados.
O resultado é curioso porque o país tem algumas das regras de entrada mais acessíveis da lista. O VITEM XIV, voltado a aposentados e pessoas com renda passiva, exige comprovação de renda mensal de pelo menos US$ 2 mil (pouco mais de R$ 10 mil), não estabelece idade mínima e não exige a compra de um imóvel.

O Brasil também recebeu uma avaliação elevada no pilar de mobilidade e cidadania, que considera fatores como circulação regional e possibilidade de naturalização.
O principal problema está nos impostos. O país ficou apenas na 35ª posição nesse critério, segundo o levantamento. Residentes fiscais brasileiros estão sujeitos à tributação sobre a renda mundial, com alíquotas progressivas que chegam a 27,5%.
Para um aposentado estrangeiro com renda elevada proveniente de outros países, portanto, o custo tributário pode alterar significativamente a conta.
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Fonte: Seu Dinheiro