Flávio reduz exposição enquanto Lula acelera agenda na reta final

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ELEIÇÕES

Congresso em Foco

30/9/2026 9:10

A poucos dias do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) escolheram estratégias diferentes para atravessar a reta final da campanha presidencial.

Lula acelerou. Flávio se recolheu.

Há três dias, o candidato do PL mantém uma agenda pública reduzida, com boa parte do tempo dedicada a reuniões internas e gravações de campanha. Nesta quarta-feira (30), não há qualquer compromisso público previsto. A campanha continua funcionando, mas cada vez mais longe das ruas e dos eventos abertos.

Do outro lado, Lula aumentou o ritmo de viagens e concentra os últimos dias em caminhadas, comícios e atos em grandes polos eleitorais. A campanha petista planejou visitar, em média, um Estado por dia até a eleição, com atenção especial ao Sudeste e ao Nordeste. Nesta quarta-feira (30), Lula vai a ato político, em Juiz de Fora (MG).

A diferença não parece casual. É uma escolha sobre como cada campanha pretende administrar os últimos dias antes da votação.

Sem exposição

Flávio trabalha em ambiente mais controlado. Reuniões, gravações e produção de conteúdo permitem manter o candidato presente na campanha sem submetê-lo permanentemente à exposição de eventos públicos, entrevistas e deslocamentos.

É uma estratégia de preservação.

Isso não significa que o candidato do PL considere a eleição decidida. As pesquisas mostram uma disputa competitiva e resultados diferentes conforme o instituto.

O comportamento da campanha, porém, indica que Flávio não parece disposto a correr riscos adicionais apenas para preencher a agenda.

Em vez de tentar produzir um fato político novo a cada dia, o candidato diminui a exposição, prepara material de campanha e preserva espaço para os momentos considerados decisivos. Um deles será o debate da TV Globo, nesta quinta-feira (1º), para o qual Flávio garantiu que irá.

É uma espécie de campanha por baixo da mesa, não no sentido de ausência, mas de menor exposição. O candidato continua pedindo votos, aparecendo na propaganda e movimentando as redes, enquanto parte relevante do trabalho eleitoral ocorre longe das câmeras.

Nas ruas

Se Flávio parece apostar na preservação, Lula trabalha com a lógica da expansão.

O presidente intensificou a campanha justamente quando o calendário se aproxima do fim. O roteiro estabelecido pelo PT passa por Norte, Nordeste e Sudeste, com prioridade para grandes colégios eleitorais e regiões metropolitanas.

O Sudeste tem peso especial. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país, concentram parte importante da movimentação desta última semana.

Lula procura territórios onde há espaço para avançar ou consolidar vantagem. A campanha decidiu investir em comícios no Norte e no Nordeste e chegar ao fim da disputa em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

A maior exposição tem, naturalmente, outro lado. Quanto mais o candidato aparece, mais sujeito fica a declarações que repercutem negativamente, imprevistos e ataques dos adversários. Lula parece aceitar esse risco em troca da possibilidade de ampliar a mobilização na reta final.

Flávio se recolheu. Lula acelerou.

O contraste ajuda a revelar como cada campanha enxerga esses últimos dias.

Lula age como quem ainda vê votos a conquistar e considera que a presença física do candidato pode fazer diferença. Viaja, ocupa palanques e tenta manter a campanha em movimento até o limite permitido pela legislação.

Flávio parece agir como quem considera que parte importante do trabalho já foi feita. Diminui a exposição, concentra-se em ambientes controlados e preserva o candidato para momentos específicos da reta final.

Nenhuma das duas estratégias garante resultado. As pesquisas disponíveis mostram uma eleição competitiva e não permitem afirmar que um dos candidatos tenha vantagem assegurada.

Mas o contraste é revelador.

Enquanto Lula tenta chegar às urnas acrescentando votos, Flávio parece mais preocupado em não perder os que já conquistou. Um acelera para ampliar. O outro se recolhe para preservar.

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Fonte: Congresso em Foco

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