“Não tem um professor feliz com a realidade das escolas no Paraná”, afirma Requião Filho em debate
Por Redação — Brasil de Fato
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
No audio source provided.
Requião Filho (PDT) critica gestão educacional do governo Ratinho Jr. (PSD) em debate entre candidatos ao governo do estado, nesta terça-feira (29). Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) trocaram acusações de fake news sobre aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT) e sobre corrupção em obras públicas. O embate é exibido pela RPC, filiada da TV Globo no Paraná, e iniciou às 22h15.
Requião Filho, candidato do campo progressista do estado, criticou o modelo de escolas cívico-militares do atual governo do Paraná. “Não tem fechamento de escola, tem mudança de modelo”. Pedetista critica situação da educação no Paraná, falta de investimentos nas escolas do campo e falta de liberdade dos professores. Alex, ex-secretário do governo Ratinho Jr. (PSD), anunciou que planeja abrir mais escolas cívico-militares.
“Não tem um professor feliz com a realidade das escolas. O governo dele e ele são desaprovados por nove em cada dez professores. Não vamos fechar as escolas, vamos mudar o modelo [cívico-militar]”, questionou o pedetista.
Alex e a base governista defendem que a educação do Paraná é uma das melhores do país. “Educação de verdade valoriza o professor e o aluno. Paguem o salário aos professores. Hoje, a maioria dos professores no Paraná são PSS [Processo Seletivo Simplificado]”, rebateu Requião Filho.
A violência de gênero também foi pauta do debate, no primeiro bloco. Moro descreveu propostas de punição a agressores. Requião Filho argumentou que a extrema-direita não respeita as mulheres e recuperou o episódio em que Jair Bolsonaro afirmou que teve sua primeira e única filha após uma “fraquejada”.
Entre as propostas apresentadas por Requião Filho, está o Centro da Mulher, inspirado na Casa da Mulher Brasileira, para fornecimento de assessoria jurídica e acolhimento às mulheres vítimas de violência. O candidato também cita a proposta de crédito para mulheres empreendedoras, além de imposto zero para microempresas de mulheres: “A gente não quer cuidar da violência contra a mulher depois que ela aconteceu, a gente quer trabalhar na prevenção”.
Moro acusou Alex de fake news e de aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT). Alex acusa Moro de mentir sobre Greca ter pedido votos para Lula e disse que Moro teria convidado Greca para ser vice. “O senhor traiu ele e o pai dele várias vezes [Flávio e Jair Bolsonaro]”, afirmou Alex. Moro e Alex se acusaram de fake news sobre obras públicas no Paraná, como a ponte de Guaratuba (PR).
O ex-juiz da Lava Jato fugiu de pergunta sobre Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), que Moro acusou de corrupção no passado.
Requião Filho listou casos de corrupção ocorridos no Paraná, que não tiveram atuação por parte de Moro enquanto foi ministro do governo Bolsonaro e durante o período como senador. “Nós fizemos diversas denúncias de corrupção aqui do Paraná que ficaram sem resposta […] Talvez, se as denúncias fossem em São Paulo, ele tivesse feito alguma coisa”, argumentou.
Mais uma vez, Sandro Alex afirmou traição de Moro com Bolsonaro e questiona vaga que será deixada vaga no Senado caso Moro seja eleito. “Ele não cumpre nada do que se propõe a fazer”, destacou. Moro interrompeu, por diversas vezes, as falas dos outros candidatos.
Segundo as regras da emissora, os candidatos têm embates diretos e administram o próprio tempo de fala. O debate é dividido em quatro blocos – três de tema livre e um dedicado às considerações finais. Em cada bloco, os candidatos terão direito a formular uma pergunta e deverão responder ao menos uma vez. Os três participantes aprovaram as regras em 22 de setembro.
De acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto no Paraná, Moro lidera a disputa, seguido de Requião Filho e Alex, que aparecem empatados ou com leve vantagem do pedetista no primeiro turno.
O levantamento do Instituto Paraná Pesquisas desta segunda-feira (28) aponta liderança do ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro (PL), com 46,2% das intenções de voto. Atrás dele, tecnicamente empatados, aparecem Requião Filho (PDT), que tem 23,6%, e Sandro Alex (PSD), com 21,5% – no cenário estimulado de primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos participantes.
Na última pesquisa, pela contagem de votos válidos, ou seja, excluindo nulos e brancos, Moro venceria no primeiro turno, com 50,1%. O cenário é de certa estabilidade, em relação ao último levantamento do Instituto, de 18 de setembro. Há dez dias atrás, Moro tinha 44,7%, contra 23% de Requião Filho e 19,7% de Alex, na pesquisa estimulada.
A pesquisa Quaest, nesta quinta-feira (24), também mostrou liderança de Moro, que apareceu com 36% no primeiro turno — um ponto a menos em relação à pesquisa passada do mesmo instituto. Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) tinham 20%. No cenário de segundo turno, Requião Filho e Alex diminuíram a vantagem de Moro, em relação a um mês antes. Moro apareceu com 48% (antes, eram 51%), contra 32% de Requião Filho (eram 27%). Na outra possibilidade de disputa, Moro tinha 43% (eram 48%) e Sandro Alex, 29% (eram 19%).
Mateus Albuquerque, cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), explica que Requião Filho ainda não atingiu seu potencial de possíveis votos. “Sua meta de campanha deve ser transferir os votos de Lula para si, coisa que ainda não conseguiu fazer. Essa é uma dificuldade histórica da esquerda no estado: não conseguir transferir os votos da majoritária nacional às suas candidaturas locais, o que lhes garantiria mais vagas nos parlamentos, por exemplo”, explica.
Cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Cervi, conta pode haver um possível limite de crescimento de apoiadores: “O ‘piso’ de Moro é alto, aproximadamente 40%, mas o ‘teto’ talvez seja baixo”, interpreta. Em um eventual segundo turno, Requião Filho ou Sandro Alex podem obter vantagem.
“Para Requião, vai depender de para onde vão os votos de Sandro Alex, que precisa de mais tempo para ser reconhecido [como candidato de Ratinho Jr.]”, avalia Cervi sobre o cenário de segundo turno.
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
Fonte: Brasil de Fato