Lideranças indígenas de Mato Grosso e Santa Catarina discutem como Repovoar o Congresso

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Por Flavia Coimbra — SUMAÚMA

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Fotos: YODA PRODUÇÕES e Matheus Trindade

Darlene Taukane, primeira mulher indígena a se tornar mestra em educação, e Kerexu Yxapyry, ex-secretária Nacional de Direitos Territoriais Indígenas no governo federal, conversam ao vivo com SUMAÚMA nesta quarta

A série de encontros SUMAÚMA Debate: Repovoar o Congresso recebe, nesta semana que antecede a eleição decisiva em que vamos escolher deputados federais e senadores, as lideranças indígenas Darlene Taukane e Kerexu Yxapyry. As duas conversam na quarta-feira, 30 de setembro, com a editora-chefa, Talita Bedinelli, a jornalista-floresta Lorena de Paula e o repórter especial em Brasília, Rafael Moro Martins. O debate começa às 8 da noite, no horário de Brasília, Belém e Altamira, e será transmitido ao vivo pelo YouTube de SUMAÚMA.

Kerexu Yxapyry é mãe, educadora, gestora ambiental e liderança da Terra Indígena Morro dos Cavalos, no litoral de Santa Catarina. Primeira cacica dopovo Guarani reconhecida no Brasil, é cofundadora da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, a Anmiga. Também foi coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa e coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Apib.

No governo federal, Kerexu atuou como secretária Nacional de Direitos Territoriais Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas e também coordenou o Distrito Sanitário Especial Indígena Interior Sul, em Santa Catarina. Agora, é candidata a deputada federal pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), numa campanha com foco na defesa dos territórios, povos indígenas, mulheres, agroecologia, justiça climática e meio ambiente a partir do corpo-território Yvyrupa, bioma que os brancos chamam de Mata Atlântica e onde vivem diferentes povos originários e boa parte da população brasileira.

Darlene Taukane é uma mulher indígena do povo Kurâ Bakairi. Nasceu em 1960 na Terra Indígena Bakairi, em Mato Grosso. Aos 7 anos, começou a estudar para aprender o português numa escola criada pelo então Serviço de Proteção aos Índios. Em seguida, graças a uma bolsa da Funai, foi mandada a um internato católico da região. Foi no colégio interno, conta, que começou a militância pela cultura de seu povo, seus cantos e grafismos.

Em 1985, foi contratada pela Funai para prestar serviços administrativos. E seguiu estudando. Matriculou-se numa faculdade de letras. Em seguida, ingressou num mestrado em que pesquisou a educação de seu povo. Sua defesa da dissertação foi notícia em todo o país: Darlene foi a primeira Indígena a receber o título de mestra em educação no Brasil. A dissertação foi publicada em livro e Darlene passou a se dedicar à formação de professores indígenas. Hoje aposentada, resolveu abraçar o desafio de ser candidata a deputada federal pelo PDT de Mato Grosso.

A série SUMAÚMA Debate: Repovoar o Congresso começou em 26 de agosto com a proposta de reunir candidatas, candidates e candidatos comprometidos em levar a preocupação com a emergência climática para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, historicamente dominados por lobbies como o dos grileiros de terras públicas, dos adversários dos povos originários e dos inimigos da conservação da Floresta e da vida.

“O Congresso atual é formado majoritariamente por predadores”, explica Eliane Brum, diretora de redação de SUMAÚMA. “São deputados e senadores financiados ou comprometidos com as forças de destruição da Floresta e de todos os biomas, que passaram e seguem passando a boiada, destruindo quase toda a legislação que protegia a Natureza e seus povos.”

Eliane prossegue: “A Floresta Amazônica e todos os biomas não suportarão mais quatro anos de um Congresso formado por predadores da Natureza. Nossas crianças precisam que votemos bem para poder sonhar com um futuro onde possam viver. SUMAÚMA fará sua parte, não apenas com reportagens de profundidade, mas também com debates de ideias. Como nossas leitoras e leitores sabem, temos lado – e nosso lado é o da Floresta, da Natureza, da Vida”.

Os encontros promovidos por SUMAÚMA priorizam o convite a vozes com pouco ou nenhum espaço na imprensa tradicional e com escassos recursos de campanha, com um histórico de luta justa pela Natureza e seus povos e preocupação real com o futuro das crianças de todas as espécies. Nossos debates não são campos de batalha, mas rodas de conversa ao modo da Floresta.

As primeiras edições do debate reuniram a liderança indígena Vanda Witoto (MDB-AM) e a cientista climática Luciana Gatti (PSOL-SP), em 26 de agosto; a liderança indígena Alessandra Munduruku (PT-PA) e o cientista Ricardo Galvão (PSB-SP), em 2 de setembro; a ativista Neidinha Suruí (PSB-RO) e a liderança indígena cacique Ninawá Huni Kuĩ (PT-AC), em 9 de setembro; as lideranças indígenas Célia Xakriabá (PSOL-MG) e Telma Taurepang (PT-RR), em 17 de setembro; e a ativista Vânia do MST (PT-MA) e a liderança indígena Kleber Karipuna (PDT-AP), em 23 de setembro. Todos eles podem ser (re)vistos e compartilhados no canal de SUMAÚMA no YouTube.

Texto: Rafael Moro Martins
Edição: Eliane Brum
Edição de arte: Cacao Sousa
Edição de fotografia: Lela Beltrão
Checagem: Plínio Lopes e Soraia Joffely
Revisão ortográfica (português): Valquíria Della Pozza
Montagem de página e acabamento: Flávia Coimbra
Coordenação de fluxo editorial: Viviane Zandonadi
Editora-chefa: Talita Bedinelli
Diretora de redação: Eliane Brum

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Fonte: SUMAÚMA

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