Confiança do setor de serviços cai em setembro impulsionada por piores expectativas
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 0,9 ponto em setembro, atingindo o patamar de 88,1 pontos, segundo dados divulgados pelo FGV IBRE. Na métrica da média móvel trimestral, o indicador também retornou à trajetória descendente ao registrar uma retração de 0,9 ponto, situando-se em 88,3 pontos.
O resultado do mês foi determinado por trajetórias opostas entre os indicadores de momento e de futuro. O Índice de Situação Atual (ISA-S) subiu 0,9 ponto, alcançando 91,7 pontos e consolidando a segunda alta consecutiva. Já o Índice de Expectativas (IE-S) sofreu uma queda de 2,7 pontos, descendo para 84,6 pontos, o que representa a maior retração do indicador desde julho de 2026, quando havia recuado 2,8 pontos.
Dentro do componente de situação atual (ISA-S), o indicador de volume de demanda atual apresentou um avanço de 1,7 ponto, subindo para 92,9 pontos, enquanto o indicador que mede a situação atual dos negócios mostrou relativa estabilidade ao subir 0,2 ponto, chegando a 90,5 pontos. Em contrapartida, no âmbito das expectativas (IE-S), o indicador de demanda prevista para os três meses subsequentes caiu 2,3 pontos, ficando em 84,5 pontos. Por sua vez, o indicador que projeta a tendência dos negócios para os próximos seis meses encolheu 3,1 pontos, atingindo 84,9 pontos.
A deterioração das perspectivas reflete uma cautela generalizada por parte dos empresários, espalhada por todos os segmentos analisados. “A confiança de serviços voltou a cair em setembro, puxada pela piora das expectativas, enquanto a percepção sobre a situação atual melhorou pelo segundo mês seguido. A queda das expectativas foi disseminada entre todos os segmentos e nos seus dois componentes, a tendência dos negócios no médio prazo e a demanda prevista no curto prazo, sinalizando maior cautela por parte dos empresários do setor. No cenário interno, o mercado de trabalho, embora ainda resiliente, dá sinais de arrefecimento, e o crédito às empresas se torna mais curto e caro, aumentando a vulnerabilidade do setor em um ambiente de juros reais restritivos. Nesse contexto, a melhora recente da situação atual tende a perder fôlego, enquanto a trajetória mais fraca das expectativas aponta para uma desaceleração do desempenho do setor no encerramento do ano”, avalia Carlos André Vieira, economista do FGV IBRE.
Fonte: Brasil 247