Após 10 anos de projeto de combate à fome, Reserva investe em agrofloresta para ampliar programa

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O projeto de combate à fome “1P=5P” da marca de moda brasileira Reserva completa 10 anos em 2026 e começa uma nova etapa. Para ampliar o alcance do projeto, a empresa agora quer expandir para além da coleta de alimentos antes de serem descartados. Agora, a ideia é também incluir alimentos produzidos em agrofloresta.
O “Relatório Diagnóstico: Mapa da Fome e do Desperdício de Alimentos no Brasil” aponta que, em 2022, das 161,3 milhões de toneladas de alimentos que o Brasil produziu no ano, 55,4 milhões foram desperdiçadas, do campo até à mesa. Em contraste, no mesmo ano, existiam no país 125,2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e 33,1 milhões de pessoas com fome (insegurança alimentar grave).
Foi pensando nesse desperdício e na quantidade de pessoas em vulnerabilidade alimentar, que a Reserva criou um programa que oferece cinco pratos de comida a cada peça de roupa vendida – daí o nome 1P=5P (1 peça igual a cinco pratos). Em parceria com a ONG Banco de Alimentos, em São Paulo, e com a Connecting Food, que levou a operação a todos os estados desde 2023, os alimentos aptos ao consumo são coletados onde sobram e distribuídos a instituições sociais onde faltam.
Agora, uma década depois, o programa soma mais de 185 milhões de pratos complementados e mais de 1 milhão de pessoas atendidas. Para celebrar o resultado de 10 anos, Alan Abreu, coordenador de Sustentabilidade e ESG da Reserva, explica que a marca decidiu ampliar o alcance do projeto com o lançamento de uma iniciativa que busca atacar a insegurança alimentar na ponta. A Agrofloresta 1P=5P, vai atuar em uma etapa anterior à do combate ao desperdício, a produção.
Agrofloresta no Sitito Sou
Arquivo Reserva
A agrofloresta combina mata nativa e produção de alimentos, com rotação de culturas, e ajuda a regenerar o solo e ampliar a biodiversidade. Para fazer mais rápido e ser mais eficiente no uso dos recursos, a Reserva optou por um modelo já em operação. Com apoio da consultoria FARFARM, especializada em cadeias de suprimentos regenerativas, agricultura sintrópica e sistemas agroflorestais, mapeou sete agroflorestas próximas ao Rio de Janeiro e fechou um acordo com o Sítio Sou, em Teresópolis. O sítio, voltado à agricultura familiar, é conhecido por já estar com a produção regenerativa em fase avançada.
O tipo de cultivo também pesou na decisão. Abreu , executivo da Reserva, conta que durante o processo de curadoria uma das propriedades avaliadas trabalhava com café e limão, mas a ideia do projeto é apoiar culturas mais essenciais na alimentação do brasileiro, como hortaliças, a exemplo de couve, alface e cebolinha, e culturas de ciclo mais longo, como inhame, batata-doce, beterraba, rabanete e tangerina. Ao todo, o projeto vai apoiar – financeiramente e com técnica – a produção de 10 toneladas por ano destes alimentos. A produção será direcionada a organizações sociais do Rio de Janeiro que, somadas, atendem cerca de 6 mil pessoas.

A Reserva atua como financiadora e articuladora do projeto, conectando a FARFARM, responsável pela escolha da primeria propriedade da iniciativa e da compra e doação da produção, com a Connecting Food. “É um trabalho realmente em rede”, resume Abreu.
Empresa certificada pelo Sistema B desde 2020, a Reserva já se comunica com o público sobre temas socioambientais, como inclusão de pessoas com deficiência e etarismo. Para Abreu, o 1P=5P é o principal vetor de tangibilização desse posicionamento, e o crescimento da empresa está conectado a ele. Ele lembra que os consumidores estão mais informados e exigem mais transparência.
O projeto também recebeu reconhecimento externo, o prêmio Visão Consciente, da Fecomercio, em 2022, e o prêmio Firjan de Sustentabilidade, em 2025. “É uma injeção de estímulo de que a gente está olhando para o lugar certo”, diz Abreu.
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Fonte: umsoplaneta

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