“Padroeira do Brasil não será avacalhada”, diz Lula em Belém

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (28), durante comício em Belém (PA), que Nossa Senhora Aparecida será respeitada e que ninguém poderá “avacalhar” com a Padroeira do Brasil. A declaração ocorreu em meio à controvérsia eleitoral provocada pela circulação nas redes sociais da falsa alegação de que Flávio Bolsonaro (PL) pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive a religião de matriz africana”, afirmou Lula, segundo reporta o jornal O Globo.

O presidente aproveitou a defesa da liberdade religiosa para atacar a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão, mencionando as relações da instituição religiosa com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. “Ninguém é dono da verdade, a única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha daquele pastor chamado Valadão que era sócio do Vorcaro”, disse Lula. A Lagoinha nega envolvimento em irregularidades relacionadas ao caso Master e sustenta que suas unidades possuem autonomia.

A primeira-dama Janja Lula da Silva também abordou o tema religioso. Ela criticou pessoas que, segundo sua avaliação, se apresentam como representantes de Deus, mas vivem da exploração da fé alheia, e defendeu respeito a todas as crenças.

“Fé é coisa séria e tem que ser respeitada, qualquer religião”, afirmou Janja. Em seguida, pediu que o país seja protegido de “falsos profetas da fé”.

Ao final do comício, o ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado, presenteou Lula com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré. O presidente ergueu a imagem diante do público.

Soberania e Trump

Em seu discurso, Lula também abordou as eleições presidenciais e voltou a defender a soberania brasileira diante de eventuais interferências externas. O presidente sustentou que cabe exclusivamente aos brasileiros decidir os rumos políticos do país e pediu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interfira no processo eleitoral.

A posição segue a linha defendida por Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, quando criticou ingerências estrangeiras em processos eleitorais e reafirmou a soberania dos países latino-americanos.

Lula também tratou da exploração das reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras. Defendeu que o Brasil não se limite à exportação de matérias-primas e desenvolva dentro do território nacional as etapas industriais capazes de agregar valor aos recursos minerais.

A estratégia defendida pelo presidente prevê investimentos e parcerias acompanhados de transferência de tecnologia, processamento dos minerais e desenvolvimento de cadeias produtivas no Brasil. O tema ganhou peso na agenda do governo diante do crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras.

Disputa pelo Senado

O comício também expôs as complexidades da aliança eleitoral de Lula no Pará. Helder Barbalho, Chicão e Celso Sabino disputam espaço na corrida pelas duas vagas ao Senado e participaram do ato ao lado do presidente.

Sabino inicialmente não integraria o palanque principal por não fazer parte da chapa apoiada formalmente pelo PT paraense, mas Lula pediu sua inclusão. Durante seu discurso, Sabino destacou que permaneceu ao lado do presidente mesmo depois das pressões políticas que enfrentou em sua antiga legenda.

Lula cobrou unidade de seus aliados e indicou que a prioridade deve ser construir uma composição capaz de maximizar as chances eleitorais do campo governista. Chicão defendeu o trabalho coletivo, enquanto Helder alertou para o risco de as divergências internas beneficiarem adversários.

A disputa ocorre na reta final da campanha. No cenário para o Senado citado pela Quaest, Helder aparece à frente. Na corrida pelo governo paraense, o levantamento apontou Dr. Daniel com 41% e Hana Ghassan com 32%.

O ato em Belém marcou a entrada de Lula na última semana da campanha antes do primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro.

Fonte: Brasil 247

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