Governo bloqueia rede de divulgação de bets com 212 mil integrantes no Telegram
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O governo federal ampliou a ofensiva contra a divulgação de apostas no ambiente digital e bloqueou uma rede que reunia mais de 212 mil integrantes no Telegram. O mapeamento identificou dezenas de canais e grupos que promoviam apostas por meio de “sinais”, supostas estratégias, links para plataformas e promessas de ganhos que chegavam a 260% ao mês.
A ação foi conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em articulação com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda. A iniciativa ocorre no contexto do monitoramento destinado a identificar a continuidade da divulgação e da operação de apostas depois da proibição das bets no país.
O levantamento do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP), localizou 43 canais e grupos ativos no Telegram relacionados à divulgação de apostas e jogos on-line. Somados, esses espaços reuniam 212.634 membros.
A concentração de usuários chamou a atenção dos investigadores. Nove dos canais tinham mais de 10 mil integrantes cada um e, juntos, concentravam 172.359 pessoas — 81% de todo o público identificado pelo levantamento.
“Sinais” e promessas de lucro de 260%
O levantamento mostra que a divulgação não se limitava à publicação de links. Os canais monitorados ofereciam os chamados “sinais”, divulgavam supostos “horários pagantes”, apresentavam estratégias para jogos e encaminhavam usuários para páginas de cadastro em plataformas.
O maior canal localizado pelo Ciberlab reunia 42.791 integrantes e distribuía “sinais”. Outro espaço, com 28.601 membros, era dedicado ao Fortune Tiger, popularmente chamado de “Jogo do Tigrinho”, e encaminhava usuários para páginas relacionadas a apostas.
Entre as práticas identificadas pelo Ministério da Justiça estavam ainda promessas de “260% de lucro mensal”, ofertas de “robôs” para apostar e alegações de taxas de acerto de até 99,8%. De acordo com o release, alguns desses canais funcionavam como distribuidores de links e mecanismos para captar novos apostadores.
Sites suspeitos entram na mira do governo
A investigação sobre a divulgação nas redes foi acompanhada pelo rastreamento de sites e domínios com indícios de oferta irregular de apostas no território nacional.
A lista dessas páginas foi encaminhada no domingo (27) à Secretaria de Prêmios e Apostas e à Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), ligada ao Ministério da Justiça. Caberá aos órgãos realizar a análise técnica e administrativa da situação dos operadores e adotar as providências consideradas cabíveis.
O Ciberlab também encontrou um canal associado a uma plataforma que não utilizava o domínio “.bet.br”. Segundo o levantamento, havia divulgação de jogos, pagamento de comissão por indicação e distribuição de um aplicativo fora das lojas convencionais. Outro canal levava os usuários a um endereço apontado no documento como uma falsa Sportingbet.
Antes da nova proibição, a extensão “.bet.br” era utilizada como mecanismo para identificar o mercado autorizado. Desde janeiro de 2025, conforme o release, empresas com autorização federal da Secretaria de Prêmios e Apostas utilizavam essa extensão em seus sites.
Governo quer atingir toda a cadeia
A estratégia descrita pelo governo vai além da derrubada ou identificação de páginas. O objetivo declarado é alcançar a estrutura que possibilita a divulgação, o acesso às plataformas e a movimentação de recursos.
A atuação prevista abrange publicidade e divulgação digital, operação clandestina, movimentações financeiras, lavagem de dinheiro e recuperação de ativos.
O monitoramento apontou a publicidade digital como uma das principais portas de entrada para essas plataformas. Em um dos casos documentados, um canal com mais de 10 mil integrantes anunciava diariamente supostos “horários pagantes”. Outro grupo, também acima da marca de 10 mil participantes, condicionava o recebimento de “sinais” ao cadastro do usuário em uma plataforma.
Monitoramento continuará nas redes
A preocupação do governo é impedir que a retirada formal das bets seja contornada pela transferência das atividades para redes sociais, aplicativos, grupos fechados, canais clandestinos ou serviços hospedados no exterior.
O monitoramento permanecerá direcionado à identificação desses mecanismos de divulgação e operação. As informações levantadas deverão ser compartilhadas entre os órgãos responsáveis pela regulação, fiscalização e investigação, respeitadas as atribuições de cada instituição.
Fonte: Brasil 247