Padilha prevê canetas emagrecedoras no SUS para milhões de pacientes

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo Lula pretende oferecer canetas emagrecedoras a milhões de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), com custo estimado de R$ 1,5 bilhão por ano. De acordo com o governo, cerca de 25% da população brasileira tenha obesidade, enquanto análises anteriores da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) projetaram custo superior a R$ 12 mil por paciente ao ano e impacto de R$ 6,8 bilhões em cinco anos em uma proposta apresentada em 2025. A entrevista foi concedida ao jornal Folha de S.Paulo.

Conforme estimativas feitas pelo ministro, compras em escala e produção nacional possam reduzir os preços entre 80% e 90%. Em um cenário de R$ 1.000 anuais por tratamento, o orçamento citado pelo ministro permitiria atender cerca de 1,5 milhão de pessoas. Uma nova proposta da Novo Nordisk prevê atendimento a aproximadamente 39 mil pacientes, com custo entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões por ano.

“Não estamos falando de incorporar um milagre estético, mas uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação, atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive de custos para o sistema de saúde”, disse o ministro.

A pasta pediu à Conitec que elabore os critérios para o uso das canetas em pacientes com obesidade. A avaliação técnica poderá considerar fatores como grau de obesidade, diabetes e presença de outras comorbidades. A comissão também deverá calcular o impacto financeiro da incorporação e estabelecer quais medicamentos ou princípios ativos poderão integrar o protocolo.

Governo aposta em redução dos preços

O ministro Alexandre Padilha afirmou que a estratégia do governo combina poder de compra do SUS, maior concorrência no mercado e estímulo à fabricação nacional.

“Quando você pensa na escala de compras do SUS, produção local, isso nos traz a possibilidade de trazer uma redução de 80% a 90% do preço. Eu projeto que, com algo em torno de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”, disse Padilha.

O ministro também defendeu o fortalecimento dos laboratórios públicos e de acordos de transferência de tecnologia com empresas privadas. Segundo ele, a produção no país pode reduzir a dependência de fornecedores externos.

“O Brasil quer ser soberano na produção, para não acontecer como no caos da insulina. As poucas indústrias internacionais passaram a produzir os análogos de GLP-1 [conhecidos como canetas emagrecedoras] na mesma planta, e tivemos risco no abastecimento”, disse.

A expectativa do governo também considera a entrada de novos produtos à base de semaglutida no mercado brasileiro em 2026, o que pode ampliar a concorrência e pressionar os preços.

Conitec já rejeitou pedidos anteriores

A Conitec recusou três pedidos de incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS nos últimos anos. Em uma das avaliações, a comissão considerou elevado o impacto financeiro apresentado pela indústria.

A Novo Nordisk encaminhou uma nova proposta voltada a pacientes com obesidade que já sofreram infarto. Padilha afirmou que esse pedido pode perder relevância diante da formulação mais ampla em estudo pelo governo.

A proposta do Ministério da Saúde prevê incluir também pacientes acompanhados na atenção primária e participantes de programas de controle de peso.

Tratamento deve incluir acompanhamento multidisciplinar

Nas avaliações anteriores, a Conitec também apontou a necessidade de integrar os medicamentos a políticas de acompanhamento psicológico, nutricional e de atividade física.

Padilha afirmou que o governo pretende combinar o uso das canetas com ações do programa Academia da Saúde e com a atuação de nutricionistas, educadores físicos e outros profissionais da rede pública.

Segundo o ministro, mudanças nas recomendações internacionais também influenciaram a nova avaliação. Ele afirmou que a Organização Mundial da Saúde passou a considerar os medicamentos agonistas de GLP-1 como instrumentos de políticas de combate à obesidade.

As canetas emagrecedoras atuam sobre mecanismos hormonais relacionados ao controle da glicose e à sensação de saciedade. Entre os medicamentos disponíveis no mercado estão produtos à base de semaglutida e tirzepatida, além de opções de gerações anteriores que utilizam liraglutida.

A expansão do consumo desses medicamentos aumentou a discussão sobre acesso, preços e uso fora das indicações previstas em bula. Autoridades sanitárias e entidades médicas também acompanham a circulação de produtos manipulados e de medicamentos trazidos irregularmente do exterior.

A proposta do governo ainda passará pela análise da Conitec, que deverá estabelecer os critérios clínicos e financeiros antes de qualquer incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS.

Fonte: Brasil 247

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