CBF articula reunião entre governo e clubes após fim das bets
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi acionada pelo Ministério do Esporte para mobilizar clubes e federações estaduais para uma reunião em Brasília destinada a discutir os efeitos do fim das bets sobre o futebol brasileiro. O encontro está marcado para esta terça-feira (29), às 15h, no gabinete da pasta.
Segundo informações do blog do jornalista Diogo Dantas, de O Globo, o convite foi encaminhado pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, ao presidente da CBF, Samir Xaud. A confederação intermediou o chamado aos clubes das Séries A, B, C e D e às federações, mas ainda avalia se enviará um representante ao encontro.
A reunião ocorre após a edição da medida provisória que determinou o encerramento das operações das casas de apostas de quota fixa no país. A decisão atingiu diretamente uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro e provocou reação de dirigentes de diferentes equipes. A MP foi publicada na sexta-feira (25), e as plataformas deverão deixar de operar até 6 de outubro.
Governo quer ouvir impacto sobre os clubes
No ofício encaminhado à CBF, o Ministério do Esporte afirma que o encontro terá como tema o “fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro” e pretende discutir iniciativas conjuntas para o desenvolvimento do setor.
A expectativa é que os representantes das equipes apresentem ao governo o impacto provocado pelo encerramento dos contratos com empresas de apostas. A partir desse diagnóstico, poderão ser avaliadas alternativas para reduzir eventuais perdas financeiras.
O governo já vinha discutindo com dirigentes do futebol medidas para enfrentar os efeitos da mudança. Entre as possibilidades relatadas estão linhas de crédito destinadas tanto aos passivos acumulados pelas equipes quanto a novos financiamentos. Não há, porém, anúncio de socorro financeiro imediato aos clubes.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na sexta-feira (25) que o Executivo pretende primeiro dimensionar a dependência das equipes em relação ao dinheiro das casas de apostas.
“Por determinação do presidente Lula, vamos chamar tanto os clubes de futebol quanto as federações para entender qual é o real impacto”, declarou Durigan.
Clubes avaliam participação
De acordo com O Globo, dirigentes ainda analisam se participarão da reunião. Parte dos clubes teme que o encontro seja associado ao calendário eleitoral depois da repercussão da decisão do governo de proibir as bets.
A mudança colocou em risco contratos de patrocínio em vigor. Empresas de apostas já começaram a comunicar equipes sobre a possibilidade de rompimento dos acordos, enquanto dirigentes alertam para dificuldades de adaptação dos orçamentos nos próximos meses.
O setor ganhou peso expressivo no futebol brasileiro nos últimos anos. Dos 20 clubes da Série A, 14 mantêm contratos de patrocínio master com empresas de apostas, segundo o levantamento citado por O Globo.
Dados divulgados por outras fontes indicam que os patrocínios das bets aos principais clubes ultrapassaram R$ 1 bilhão. Levantamento da Sports Value citado pela imprensa apontou R$ 1,143 bilhão destinados aos 20 clubes de maior receita em 2025.
Peso das bets varia nos orçamentos
Apesar da presença disseminada das marcas de apostas em camisas e campeonatos, o peso dessa receita não é majoritário nos balanços das equipes.
O levantamento de O Globo aponta que nenhum contrato individual com uma bet representa mais de 13% do orçamento de um clube participante do Campeonato Brasileiro. Na média dos times da Série A, cerca de 7% das receitas vêm de patrocínios do segmento.
Durigan apresentou avaliação semelhante ao comentar o tema. Segundo o ministro, a participação das bets na receita dos clubes fica, em média, na faixa de um dígito, motivo pelo qual o governo pretende ouvir cada equipe antes de decidir se novas medidas serão necessárias.
A expansão das casas de apostas também alcançou os direitos de nome das principais competições nacionais. Em 2024, 18 dos 20 integrantes da primeira divisão exibiam marcas do setor em seus uniformes, em contratos que movimentavam aproximadamente R$ 523 milhões, segundo O Globo.
Agora, a reunião em Brasília deverá servir como primeira etapa de uma negociação entre governo, entidades e clubes para definir como o futebol brasileiro irá se reorganizar sem uma fonte de receita que ganhou espaço aceleradamente nos últimos anos.
Fonte: Brasil 247