Seu chefe está tentando influenciar seu voto? Entenda o que é assédio eleitoral e como denunciar

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Por Carina Brito — Seu Dinheiro

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Às vésperas das eleições de 2026, uma conversa sobre política no trabalho pode ultrapassar os limites do debate e se transformar em uma forma de pressão. Se o seu chefe tenta convencer você a votar em determinado candidato usando ameaças, promessas de benefícios ou constrangimento, fique atento: essa conduta pode configurar assédio eleitoral.

Um caso recente envolvendo o empresário Luciano Hang, conhecido como Véio da Havan, trouxe o tema para o debate. O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga o empresário por suposto assédio eleitoral após declarações sobre a proposta de fim da escala 6×1.

O episódio ocorreu durante a inauguração da 196ª unidade da Havan, em Caldas Novas (GO).

Na ocasião, Hang afirmou que a adoção da escala 5×2 reduziria o poder de compra da população e disse que, caso a proposta fosse aprovada, os funcionários da empresa teriam de “arranjar outro emprego”. Ele também classificou a medida como uma “proposta eleitoreira”.

O caso ajuda a ilustrar como declarações e atitudes no ambiente profissional podem levantar questionamentos sobre a liberdade de escolha dos trabalhadores – mas não é o único.

A preocupação com o assédio eleitoral no ambiente de trabalho também aparece nos números. O MPT recebeu 583 denúncias desse tipo em 2026 até a última quinta-feira (25), sendo mais de 200 somente em setembro.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, neste domingo, e o segundo turno previsto para 25 de outubro, caso seja necessário para presidente ou governador, vale entender o que caracteriza assédio eleitoral e como agir diante dela.

O que é assédio eleitoral no trabalho?

Nem toda conversa sobre política no ambiente profissional configura assédio eleitoral. O problema surge quando a relação de trabalho é usada para pressionar alguém ou limitar sua liberdade de decisão.

O assédio eleitoral acontece quando um empregador ou outra pessoa em posição de poder utiliza a relação profissional para constranger, intimidar ou influenciar a escolha política de um trabalhador.

Quais situações podem configurar assédio eleitoral?

A pressão por influenciar um voto pode aparecer de diferentes formas. Um chefe pode, por exemplo, ameaçar demitir funcionários que não apoiem determinado candidato ou prometer uma promoção para quem votar de acordo com sua preferência.

Mas não se limita a ameaças explícitas de demissão. Há diferentes condutas que podem caracterizar pressão eleitoral no trabalho, como:

  • Obrigar funcionários a participar de campanhas, comícios, passeatas, palestras ou reuniões para divulgar candidatos e propostas.
  • Exigir manifestações políticas nas redes sociais pessoais, como a publicação de mensagens de apoio a um candidato.
  • Constranger o trabalhador a revelar seu voto, sua orientação política ou a seção eleitoral em que pretende votar.
  • Impor o uso de roupas e acessórios de campanha, como camisetas, bonés e bottons de candidatos.
  • Humilhar, perseguir ou discriminar funcionários por suas opiniões políticas ou por apoiarem candidatos diferentes dos defendidos pelo chefe.
  • Ameaçar fechar a empresa ou cortar postos de trabalho caso determinado candidato vença a eleição.
  • Dificultar o exercício do voto, seja por meio da retenção de documentos, seja pela organização de escalas que impeçam ou dificultem a participação eleitoral de determinados trabalhadores.

Também podem configurar assédio a realização de pesquisas eleitorais com funcionários e a exposição de propaganda política nos locais de trabalho ou descanso, conforme as condutas descritas nas orientações fornecidas.

O que fazer se o chefe pressionar você?

Se você sofrer ou presenciar uma situação de assédio eleitoral, uma das primeiras medidas é guardar provas do que aconteceu.

Mensagens, e-mails, áudios, vídeos e fotografias podem ajudar na apuração dos fatos. Também é importante, sempre que possível, identificar testemunhas que tenham presenciado a situação.

A denúncia pode ser feita ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) e ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).

As Ouvidorias dos Tribunais Regionais do Trabalho também podem receber relatos e encaminhá-los aos órgãos responsáveis.

Quem denuncia pode solicitar que sua identidade seja mantida em sigilo.

Quais são as consequências para quem pratica assédio eleitoral?

O empregador que utiliza a relação de trabalho para pressionar funcionários a votar de determinada maneira pode sofrer diferentes consequências, a depender da situação e da apuração dos fatos.

Entre elas estão:

  • Multas: o responsável pode ser penalizado pelas autoridades competentes.
  • Rescisão indireta do contrato de trabalho: o funcionário pode pedir o encerramento do vínculo por falta grave do empregador e, se o pedido for reconhecido, receber as verbas rescisórias equivalentes às de uma demissão sem justa causa.
  • Indenização por danos morais: o empregador pode ser obrigado a compensar o trabalhador pelos danos sofridos.
  • Sanções penais: dependendo da conduta, pode haver responsabilização criminal, inclusive com possibilidade de prisão.

A denúncia dá início à apuração dos fatos pelas autoridades. A aplicação de penalidades depende da análise do caso e da confirmação das irregularidades.

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Fonte: Seu Dinheiro

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