Pesquisa mostra como trabalho sociocomunitário fortalece tecido social em territórios populares da América Latina

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Por Afonso Bezerra — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

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Uma pesquisa realizada pela Fundação Rosa Luxemburgo e pela Escola Nacional Paulo Freire, em parceria com o governo federal, sistematizou experiências de políticas públicas em quatro países latino-americanos que fortalecem o tecido comunitário e a atuação de organizações sociais nos territórios populares. O relatório “Políticas públicas, trabalho sociocomunitário e educação popular na América Latina” será lançado nesta segunda-feira (28), às 18h, na livraria Expressão Popular, no centro da cidade de São Paulo (SP).

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Jorge Pereira Filho, coordenador de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo e um dos coordenadores da iniciativa, explica que a pesquisa partiu de experiências em Argentina, Colômbia, México e Venezuela. Ele explica que os países têm particularidades, mas, em comum, compartilham a formação socioeconômica vinculada a um capitalismo dependente.

“No caso da Venezuela, a gente focou bastante na experiência das comunas. Na Argentina, a gente priorizou as experiências que tinham a ver com o salário social complementar, as cozinhas populares, o trabalho socioeducativo realizado nas periferias. No México, a gente focou bastante nas escolas e clínicas, com a participação de comitês que definem investimentos e também participam ativamente da gestão nessas unidades, além, claro, das políticas públicas de cuidado. E na Colômbia a gente discutiu bastante as alianças público-populares”, explica.

Luís Fernandes, coordenador da pesquisa e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica o conceito de “trabalho sociocomunitário” desenvolvido na pesquisa.

“O estudo mostra que há uma relação entre participação e trabalho nos territórios que o Estado deve reconhecer. A gente chama atenção para uma dimensão de um trabalho concreto, ou seja, um trabalho que não está necessariamente mercantilizado, não está relacionado ao Estado, mas é um trabalho que sustenta a vida nos territórios, que está no cuidado, na alimentação, na educação, até mesmo no cuidado com o meio ambiente. E a grande luta é que se reconheça esse tipo de trabalho, que o Estado reconheça, por meio de políticas públicas, que existe um trabalho socialmente relevante, um trabalho sociocomunitário, e que ele deve ser alvo da construção de políticas públicas”, argumenta.

Jorge Pereira Filho observa que os resultados de cada uma dessas experiências apontam para uma forma de fazer política em que há uma participação ativa das comunidades de uma forma organizada, estimulada pelo Estado, com muita presença no território. “Essas experiências apontam para uma recuperação desse tecido social tão dilapidado pelas políticas neoliberais nos últimos anos”, resume.

Serviço
Lançamento da pesquisa “Políticas públicas, trabalho sociocomunitário e educação popular na América Latina”
Livraria Expressão Popular – Alameda Nothmann, nº 806, Campos Elíseos, São Paulo (SP)
Segunda-feira, 28 de setembro, às 18h

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 7h25 às 8h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM, na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Fonte: Brasil de Fato

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