Felipe Nunes vê recuperação de Lula entre mulheres e baixa renda na reta final
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à última semana antes do primeiro turno com sinais de recuperação em segmentos decisivos do eleitorado, especialmente entre mulheres, pessoas de baixa renda e beneficiários do Bolsa Família. A avaliação é de Felipe Nunes, CEO da Quaest, que analisou nesta segunda-feira (28) os resultados da nova rodada da pesquisa presidencial realizada pelo instituto.
Em uma sequência de publicações nas redes sociais, Nunes destacou que a redução do número de indecisos e do chamado voto útil ocorreu simultaneamente à consolidação de Lula na liderança do primeiro turno. Segundo a pesquisa apresentada pelo CEO da Quaest, Lula registra 39% das intenções de voto, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). Ciro Gomes aparece com 4%, Ronaldo Caiado também tem 4%, Renan Santos registra 3% e Romeu Zema, 1%.
1/ Com redução de indecisos (10% -> 5%) e voto útil (16% -> 12%) nos últimos 15 dias, Lula começa a última semana do 1º turno na liderança com 39%. Flávio chega a 34%. Cury e Caiado tem 4% cada, empatados com Renan, que tem 3% e Zema com 1%. pic.twitter.com/1978Fy8ffu
— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) September 28, 2026
“Com redução de indecisos (10% -> 5%) e voto útil (16% -> 12%) nos últimos 15 dias, Lula começa a última semana do 1º turno na liderança com 39%. Flávio chega a 34%. Cury e Caiado tem 4% cada, empatados com Renan, que tem 3% e Zema com 1%”, escreveu Nunes.
Na simulação de segundo turno apresentada pelo instituto, Lula e Flávio Bolsonaro registram 42% cada. De acordo com Nunes, o senador permaneceu nesse patamar nas três últimas rodadas, enquanto o presidente oscilou dois pontos percentuais para cima no período. Outros 13% afirmam que não votariam em nenhum dos dois e 3% estão indecisos.
Mulheres ampliam diferença em favor de Lula
Um dos movimentos considerados mais relevantes por Felipe Nunes ocorreu no eleitorado feminino. Segundo sua análise, Lula e Flávio estavam empatados entre as mulheres duas semanas antes, mas o presidente passou a registrar uma vantagem de nove pontos percentuais nesse segmento.
“A recuperação de terreno de Lula aconteceu de forma mais clara em 3 subgrupos: entre as mulheres. O que era um empate duas semanas atrás, virou uma vantagem de +9 pp em favor de Lula”, afirmou.
O movimento amplia a diferença de comportamento eleitoral entre homens e mulheres na reta final da campanha. Nunes observou também uma mudança na percepção de risco político desses dois grupos.
“O medo da volta da família Bolsonaro a Presidência também cresceu entre mulheres. Enquanto o medo de Lula continuar no poder crescer entre os homens. Ou seja, o Gap de gênero aumentou nessa reta fina de 1º turno”, escreveu.
Baixa renda e Bolsa Família
A recuperação apontada pelo pesquisador também aparece de maneira acentuada entre os eleitores de menor renda. Nesse segmento, Lula registra vantagem de 26 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro, segundo os dados apresentados por Nunes.
O movimento é igualmente expressivo entre beneficiários do Bolsa Família. Lula alcançou 59% das intenções de voto nesse grupo, enquanto Flávio aparece com 27%.
“A mesma tendência observada entre os beneficiários do Bolsa Família. Neste segmento, Lula voltou a ter 59% das intenções de voto, contra 27% de Flávio”, afirmou o CEO da Quaest.
Pesquisas nacionais anteriores do instituto já vinham mostrando diferenças relevantes na percepção do governo entre beneficiários e não beneficiários do programa social. Em abril, por exemplo, levantamento da Quaest registrava aprovação de 59% do governo entre beneficiários do Bolsa Família, ante 39% entre aqueles que não recebiam o benefício.
Nunes relaciona avanço a medidas do governo
Para Felipe Nunes, há indícios de que a melhora de Lula nesses segmentos esteja relacionada a medidas anunciadas recentemente pelo governo federal. Entre elas estão a restrição às apostas on-line, o reajuste do Bolsa Família e a distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“O aumento da vantagem entre mulheres, eleitores de baixa renda e beneficiários do BF parece estar muito associada ao pacote de mediadas anunciado pelo governo na última semana. A restrição às bets é aprovada por 62%, o reajuste do Bolsa Família por 59% e a distribuição das canetas emagrecedoras no SUS por 58%”, escreveu.
A associação feita por Nunes é uma interpretação dos movimentos registrados pela pesquisa; os dados apresentados não demonstram, por si só, uma relação causal entre cada medida governamental e a mudança nas intenções de voto.
O pesquisador chamou atenção especialmente para a receptividade das propostas entre as mulheres. Segundo ele, 64% das eleitoras aprovam a proibição das bets, enquanto 62% apoiam tanto a oferta das chamadas canetas emagrecedoras pelo SUS quanto o reajuste do Bolsa Família.
Entre os entrevistados de menor renda, o apoio se concentra principalmente nas medidas relacionadas aos medicamentos e ao programa de transferência de renda. A restrição às apostas, no entanto, apresenta uma característica diferente.
“Mas chama atenção que a proibição às bets fura a bolha e é ainda mais aprovada por quem tem renda mais alta”, afirmou Nunes.
Lula melhora entre católicos
Outro movimento destacado pelo CEO da Quaest ocorre entre os católicos. Lula passou a registrar vantagem de 13 pontos percentuais sobre Flávio nesse grupo, desempenho que Nunes descreveu como o melhor do presidente nesse segmento desde 14 de agosto.
Ao mesmo tempo, a vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos diminuiu, segundo a análise publicada pelo pesquisador.
Nunes também abordou a repercussão de uma controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida nas redes sociais. Ele ressaltou, contudo, uma limitação metodológica importante: as perguntas do levantamento já haviam sido registradas no Tribunal Superior Eleitoral antes do início da discussão.
“O questionário já havia sido registrado no TSE quando a polêmica envolvendo N.S. Aparecida foi iniciado nas redes”, escreveu.
Na sequência, o pesquisador apresentou sua interpretação de que o episódio pode ter contribuído para aumentar entre católicos a preocupação com o retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Trata-se de uma leitura apresentada por Nunes sobre os dados, e não de uma relação causal diretamente medida pelo levantamento.
Aprovação do governo também apresenta melhora
A movimentação eleitoral ocorre em paralelo a uma redução da diferença entre aprovação e desaprovação do governo Lula.
A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda mostra que 49% dos entrevistados desaprovam o governo, contra 46% que aprovam. Uma semana antes, os índices eram de 50% e 44%, respectivamente. Assim, a diferença numérica entre desaprovação e aprovação passou de seis para três pontos percentuais.
Na avaliação do governo, entretanto, permanece uma diferença entre as avaliações negativa e positiva. A gestão é considerada negativa por 41%, positiva por 34% e regular por 23%. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, oscilações entre rodadas devem ser consideradas dentro desse intervalo.
Para Nunes, a melhora relativa na percepção da administração federal também teve reflexos nos indicadores de potencial de voto e rejeição.
“O efeito positivo sobre aprovação do governo também fez oscilar positivamente o potencial de voto de Lula (de 45% para 46%) e oscilar pra baixo a rejeição (de 55% para 54%). Flávio mantém seu potencial de voto em 43% e sua rejeição em 56%”, escreveu.
O CEO da Quaest ressaltou, porém, que a avaliação geral do governo continua representando um obstáculo para o presidente. Segundo sua análise, a diferença entre avaliação positiva e negativa segue desfavorável a Lula em sete pontos percentuais.
“Nenhum presidente foi capaz de vencer eleição no Brasil com saldo negativo a essa altura da corrida presidencial”, afirmou Nunes ao comparar o cenário atual com eleições anteriores. A observação se refere ao histórico analisado pelo pesquisador e não determina o resultado da eleição de 2026.
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 24 e 27 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06520/2026.
Fonte: Brasil 247