Governo reúne clubes para discutir impactos do fim das bets no futebol
Por Emanuela Godoy — TVT News
O governo federal se reúne nesta terça-feira (29) com representantes de clubes de futebol para discutir os impactos da proibição das plataformas de apostas de quota fixa no país, as bets. O encontro foi articulado pelo Ministério do Esporte e ocorre após a reação de clubes diante da medida provisória que determina o encerramento das atividades das bets. Leia em TVT News.
A reunião será conduzida pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, e terá como foco as consequências financeiras da medida para as equipes, especialmente diante do peso que os contratos com bets passaram a ter nas receitas dos clubes brasileiros.
A intenção do governo, de acordo com o Ministério do Esporte, é ouvir as demandas apresentadas pelos clubes e avaliar alternativas para evitar possíveis prejuízos provocados pelo fim dos acordos comerciais com as empresas de apostas.
>> Bets representam 7,2% das receitas dos clubes da Série A, apesar de alerta sobre “fim do futebol”
Contratos de patrocínio entram no centro da discussão
As bets se tornaram uma fonte relevante de recursos para os clubes brasileiros nos últimos anos, principalmente por meio de patrocínios estampados em uniformes e associados a outras ações comerciais.
Com a proibição das bets, os contratos firmados entre clubes e empresas do setor passam a enfrentar um novo cenário. A medida provisória estabelece prazos para a retirada das marcas e para o encerramento das atividades das plataformas, o que também afeta ações de publicidade vinculadas aos acordos.
Antes mesmo da confirmação da proibição, empresas de apostas já haviam pressionado clubes por meio de notificações relacionadas à possibilidade de rescisão dos contratos.
O Flamengo, por exemplo, recebe R$ 268,5 milhões por temporada de uma empresa de apostas, segundo o texto de apoio. Após a publicação da medida, o clube criticou a mudança nas regras e argumentou que empresas e instituições haviam assumido compromissos com base no marco regulatório então existente.
O Fluminense, que possui contrato de R$ 52 milhões por temporada com uma empresa do setor, defendeu a existência de um período de transição para lidar com as mudanças.
A reunião também poderá tratar de alternativas diante da perda das receitas provenientes dos contratos de patrocínio.
Prazo para retirada das bets
A medida provisória que determina o fim das plataformas de apostas de quota fixa foi publicada na sexta-feira (25). Pelas regras apresentadas nos textos de apoio, as empresas terão até 6 de outubro para sair do ar.
Os apostadores terão prazo até 5 de outubro para retirar os valores que ainda estiverem disponíveis nas plataformas.
O mesmo período será utilizado para a retirada de peças publicitárias e ações de divulgação relacionadas às empresas, além da remoção das marcas associadas aos contratos de patrocínio.
A decisão altera o cenário no qual clubes e empresas de apostas estabeleceram seus acordos comerciais nos últimos anos. Para o governo, a reunião com os times servirá para compreender as demandas do setor esportivo e avaliar os possíveis efeitos da mudança.
O ministro Paulo Henrique Cordeiro afirmou que o futebol brasileiro já existia antes da expansão das bets e defendeu que o esporte pode continuar sem esse tipo de receita.
Governo também propõe criminalização das apostas
Além da medida que determina o fim das plataformas, o governo encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a criminalização da exploração, da operação e da divulgação de apostas de quota fixa após a proibição do setor.
A proposta ainda precisa passar pelo Congresso Nacional e ser sancionada pelo presidente da República para entrar em vigor.
Segundo o texto apresentado, explorar ou operar apostas de quota fixa, por qualquer meio, poderá ser considerado crime, com previsão de reclusão de quatro a seis anos, além de multa. A punição também seria aplicada nos casos em que o responsável tenha autorização de uma autoridade estrangeira.
A proposta amplia o alcance das medidas adotadas pelo governo e estabelece uma discussão que vai além dos contratos de patrocínio esportivo. Enquanto o projeto tramita no Congresso, clubes e governo discutem os efeitos imediatos da retirada das bets do mercado.
Futebol busca alternativas para perda de receitas
A reunião desta terça-feira ocorre, portanto, em um momento de mudança para o futebol brasileiro. Os clubes terão de lidar com o encerramento de contratos que movimentaram mais de R$ 1 bilhão em patrocínios entre as 20 maiores equipes em receita em 2025.
O encontro também coloca em discussão como o setor esportivo poderá reorganizar suas fontes de financiamento diante da nova realidade. Para os clubes que mantêm contratos de valores elevados com empresas de apostas, o impacto da interrupção desses acordos pode ser mais significativo.
O governo afirma que pretende ouvir os representantes das equipes antes de avaliar medidas relacionadas aos efeitos econômicos da proibição. A reunião deve concentrar as discussões justamente nos contratos existentes, nos prazos definidos pela medida provisória e nas possíveis alternativas para reduzir os impactos financeiros sobre o futebol.
A medida também encerra um período em que as empresas de apostas ganharam espaço no mercado esportivo brasileiro e passaram a ocupar posições de destaque entre os patrocinadores dos principais clubes do país.
Agora, com a determinação para que as plataformas deixem de operar, governo e representantes dos clubes discutem como será a adaptação do futebol a esse novo cenário.
The post Governo reúne clubes para discutir impactos do fim das bets no futebol appeared first on TVT News.
Fonte: TVT News