Trabalhadores da BYD entram em greve por reajuste e contra a precarização. Todo apoio!
Por Redação — Esquerda Diário

Os trabalhadores da fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, paralisaram a produção na última sexta-feira (25), em meio ao impasse da campanha salarial. A greve mostra o caminho para enfrentar a precarização do trabalho e a exploração. Todo apoio!
A mobilização atingiu os dois primeiros turnos e teve duração prevista de 24 horas. A categoria reivindica reajuste de 9,5%, correspondente à reposição da inflação pelo INPC mais 5% de aumento real, enquanto a multinacional chinesa apresentou proposta de apenas 4,5%.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, a paralisação pode impedir a produção de cerca de mil veículos. Em agosto, mais de 3 mil trabalhadores já haviam participado de assembleia que aprovou o estado de greve e reivindicações como vale-alimentação de R$ 600 e melhorias no adicional noturno e no plano de saúde.
A mobilização ocorre em uma fábrica cercada desde sua implantação por uma enorme precarização do trabalho. Em maio de 2025, o Ministério Público do Trabalho ajuizou ação contra a BYD e duas empreiteiras que atuaram na construção do complexo, depois que uma força-tarefa encontrou 220 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão e como vítimas de tráfico internacional de pessoas.
O MPT relatou jornadas exaustivas, retenção de passaportes e salários, alojamentos degradantes e violações de normas de saúde e segurança. A ação ainda representa uma acusação a ser julgada pela Justiça, mas o episódio expôs brutalmente que a multinacional chinesa busca ampliar seus lucros e atacando as condições de vida dos trabalhadores.
A luta dos metalúrgicos de Camaçari merece todo apoio. A experiência da BYD mostra a necessidade de uma política independente da classe trabalhadora diante das disputas entre grandes potências e seus capitais: não cabe alentar os investimentos do capital chinês como alternativa a ofensiva imperialista norte-americana, pois também se baseiam na enorme exploração da força de trabalho. A força capaz de impor melhores salários e condições dignas, enfrentando o imperialismo e a extrema-direita que querem abrir caminho para atacar ainda mais, está na organização independente daqueles que fazem as fábricas funcionarem.
A greve da BYD aponta um caminho dos métodos de luta da nossa classe contra a precarização da vida e do trabalho. Ao enfrentar diretamente uma poderosa multinacional chinesa, os metalúrgicos de Camaçari demonstram a força da organização coletiva e independente da classe trabalhadora. É por meio da greve, da mobilização e da solidariedade entre trabalhadores que se pode enfrentar a precarização, venha ela de capitais nacionais, norte-americanos, chineses ou de qualquer outra origem. Todo apoio à greve dos trabalhadores da BYD!
Fonte: Esquerda Diário