O desabafo de um empresário furtado pela 3ª vez na Praia do Canto
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Publicado em 28 de Setembro de 2026 às 03:15
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“Fiquei traumatizado.” O empresário Hélder Belmiro não economiza nas palavras para descrever a sua profunda revolta e desilusão com mais um episódio de violência contra o seu estabelecimento, na madrugada de quarta-feira (23) da semana passada, na Praia do Canto, em Vitória.
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Pela terceira vez em apenas dois anos, a tradicional Mercearia Belmiro, localizada na Av. Rio Branco, foi “visitada” na madrugada por um homem que acabou sendo flagrado retirando a fiação da parte externa do seu estabelecimento.
O empresário conta que acordou de madrugada, foi olhar as câmeras de videomonitoramento da sua mercearia e viu um homem retirando os fios. Ele ligou para a Polícia Militar, que acabou detendo o acusado, que não chegou a ser preso desta vez.
“Como os fios não foram levados, não houve furto consumado. Mas o dano aconteceu e deixou mais um prejuízo: uma tomada e o ventilador ligados àquela instalação pararam de funcionar e tivemos que comprar material e chamar um eletricista para fazer o reparo”, lamenta Hélder Belmiro.
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Em 2024 e em 2025, um outro homem, pelos dois anos consecutivos, também causou prejuízos à mercearia. Exausto com tantas ocorrências de violência, ele recorreu às redes sociais para desabafar (leia o relato no final deste texto).
“O que preocupa é a repetição. Depois de tantos episódios, a sensação é de que vai acontecer novamente. A gente só não sabe quando: se será na semana que vem ou no ano que vem. Essa é a pior sensação”, conta o empresário à coluna.
Hélder Belmiro agora convive com o medo da retaliação: “O prejuízo material desta vez foi pequeno. Mas a maior preocupação é com a repetição dos episódios, com a segurança da equipe e com o medo de que ele retorne e faça alguma coisa contra nós”.
Até quando?
Desta vez, não levaram os fios. O prejuízo material foi pequeno. O desgaste, não.
Às 2h17 desta madrugada, as câmeras da Belmiro registraram um homem puxando e danificando a fiação externa da loja.
Por volta das 4h, acordei por acaso, olhei as câmeras e percebi que ele ainda estava na porta. Acionei o 190, fui até as proximidades e aguardei a polícia.
A Polícia Militar chegou rapidamente, garantiu minha segurança, abordou o homem e o retirou dali. Meu agradecimento aos policiais que nos atenderam.
Este post reúne três registros na mesma loja: em 2024 e 2025, o mesmo homem; em 2026, outra pessoa.
Três registros. Duas pessoas. A mesma loja.
Para quem olha de fora, hoje foram apenas alguns fios puxados. Para mim, é mais uma madrugada perdida, o prejuízo acumulado, a preocupação com a equipe que chega cedo e a insegurança de não saber quando acontecerá novamente.
Sou dono de uma pequena empresa. Todos os dias a gente abre as portas, mantém empregos, paga fornecedores e impostos e trabalha para receber bem cada pessoa que chega até aqui.
Mas falo também como pai. A Praia do Canto é onde moro, trabalho e onde minhas filhas estudam. Não é só a loja que me preocupa. É pensar na minha esposa e nas minhas filhas circulando pelo mesmo bairro e convivendo com essa insegurança.
Toda vez que acontece algo assim, dá vontade de desistir. Por alguns momentos, parece que todo o esforço para manter as portas abertas, gerar empregos e fazer as coisas certas não vale a pena.
Depois, a gente respira, abre a loja e continua. Mas o desgaste fica.
Haja resiliência.
Quem está em situação de rua precisa de cuidado, assistência e dignidade. Mas isso não significa que agressividade, intimidação e danos devam ser ignorados.
Quem trabalha, empreende, mora e circula pela cidade também precisa de proteção. Uma necessidade não anula a outra.
A polícia nos atendeu e fez o seu trabalho. Mas, para quem vive o problema na ponta, a repetição mostra que a resposta, como um todo, ainda não é suficiente.
Não dá para aceitar que isso continue acontecendo como se fosse normal.
O dano de hoje foi pequeno.
O problema não.
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Leonel Ximenes
Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.
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