Defesa de acusado de matar Dante Michelini quer vistoriar local do crime

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Publicado em 28 de Setembro de 2026 às 03:30

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Os advogados de defesa do homem acusado pelo assassinato de Dante Brito Michelini, em janeiro deste ano, solicitaram a realização de uma visita técnica ao local do crime. Trata-se do Sítio Pequeira, localizado em Meaípe, Guarapari (Veja vídeo do local abaixo).


O argumento apresentado à Justiça foi o de que a diligência seria necessária para verificar a compatibilidade entre a narrativa da acusação e as características físicas do ambiente que, em algumas ocasiões, foi utilizado como abrigo por William Santos Monzoli.


“Queremos conhecer os caminhos utilizados por ele no sítio, o local que utilizou para descansar, onde teria ocorrido o conflito, saber o local onde os fatos aconteceram, como ele saiu do sítio com a cabeça do Dante, a distância percorrida, se o local é ermo, enfim, detalhes importantes para a defesa do nosso cliente”, relata o advogado Fernando Colombi, que atua no caso junto com o advogado Vanderson Leocádio.


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O pedido foi indeferido pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Guarapari e uma liminar foi negada pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).


Foi dito na decisão de Guarapari que o imóvel é de propriedade privada, que a estrutura foi comprometida por incêndio após o crime,  e que o local está tomado por vegetação. “Esclarecendo que não há garantia de que eventual inspeção atualmente realizada reproduziria as condições existentes no momento dos fatos”.


Completou informando que o sítio foi isolado após a localização do cadáver e submetido à perícia. “Tendo sido elaborado laudo de local do crime, acompanhado de relatório fotográfico, documento que permite a análise das características do ambiente e dos elementos relevantes para a compreensão da dinâmica investigada”.  


Colombi reafirma que a visita técnica é importante e que aguarda agora a decisão de mérito da 1ª Câmara Criminal do TJES. Em paralelo, já recorreram com o mesmo pedido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Temos urgência porque, com o passar do tempo, as condições do imóvel se modificam”, destacou.


No início de julho, foi aceita a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) contra William, que se tornou réu. Foi agendada para 12 de janeiro do próximo ano, às 14 horas, a audiência de instrução e julgamento.


As ligações com o caso Araceli


Em paralelo, os advogados de William tentam a recuperação do processo sobre o assassinato de Araceli Cabrera Crespo, do qual Dante chegou a ser acusado. Eles já tiveram oportunidade de analisar o processo físico e constataram a ausência de peças importantes, uma delas é a decisão de finalização do caso.


“São documentos importantes e que estão ausentes do processo, o que impede, na prática, o seu arquivamento”, assinalou Colombi.


Ele relata que o pedido formulado por eles de recuperação do processo foi reforçado pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Espírito Santo (OAB-ES). “Já houve consulta a duas câmaras criminais que informaram não ter localizado nenhum vestígio das peças que faltam ao processo”, explicou.


A consulta ao caso histórico decorre do depoimento de William à polícia, onde afirmou ter matado Dante após receber informações de que ele seria um “estuprador de criança e com uma rua com seu nome”.


“No nosso entender, ele cometeu o crime impelido por motivo de justiça. Em função disso, decidimos consultar o processo do Caso Araceli para entender as conexões entre os casos”, relatou Colombi.


O assassinato de Dante


O corpo de Dante, sem cabeça, foi encontrado no dia 3 de fevereiro, mas estima-se que o assassinato tenha ocorrido entre os dias 19 e 20 de janeiro. William, acusado pelo homicídio, foi preso no dia 28 de janeiro, ao ser flagrado em uma tentativa de roubo. Contra ele havia um mandado da Justiça da Bahia por descumprimento de medida protetiva.  Semanas depois confessou o assassinato de Dante.


Em depoimento à polícia, William relatou que veio da Bahia para Guarapari por orientação da sua tia, tendo chegado próximo do réveillon e ficado na região de Meaípe, próximo ao restaurante do Curuca e do Gaeta.


Ele se valeu de um galpão abandonado no sítio Pequeira para dormir. Mas foi descoberto e acabou sendo espancado e expulso por Dante, dono do espaço. Nos dias que se seguiram, ficou sabendo do caso Araceli e que a vítima era um dos acusados pelo estupro e morte da criança.


No dia seguinte ao conflito, William conta que retornou ao sítio para se vingar. A vítima o reconheceu, entraram em luta corporal e ele matou Dante, de quem cortou a cabeça e após um tempo, a jogou no Canal de Guarapari.

Antes de deixar o local, incendiou a propriedade com um isqueiro de Dante. No dia seguinte, voltou ao local do crime  para conversar com o corpo sem cabeça enquanto fumava um cigarro de maconha.

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Vilmara Fernandes

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