Goiás está entre 11 estados com cenário de eleição para governador definida no 1º turno
Por Bruna Ariadne — Jornal Opção

Goiás está entre os 11 estados onde as pesquisas eleitorais indicam uma disputa mais concentrada para o governo na reta final das eleições de 2026. A análise é do cientista político Felipe Nunes, publicada neste sábado, 26, e aponta que até 19 das 27 eleições estaduais podem ser resolvidas já no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
No caso goiano, um dos fatores destacados por Nunes é a avaliação do eleitor sobre a continuidade do atual grupo político no comando do Estado. Segundo a análise, cerca de 70% ou mais dos entrevistados em Goiás consideram que o governo merece eleger seu sucessor. A Paraíba apresenta situação semelhante.
Em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB), candidato à reeleição, aparece à frente nas pesquisas realizadas nesta reta final. Levantamento do Instituto Goiás Pesquisas divulgado neste domingo, 27, mostra Daniel com 44,6% das intenções de voto no cenário estimulado. Wilder Morais (PL) registra 18,2% e Marconi Perillo (PSDB), 13,8%.
Quando considerados apenas os votos válidos, Daniel aparece com 52,3%, Wilder com 21,3% e Marconi com 16,2%. O levantamento ouviu 1.250 eleitores entre 24 e 25 de setembro, tem margem de erro de 2,77 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo GO-09899/2026.
Outra pesquisa recente, realizada pela Quaest e divulgada na quinta-feira, 24, mostrou Daniel com 42% das intenções de voto, seguido por Marconi, com 19%, e Wilder, com 15%. Foram entrevistados 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, e o levantamento está registrado sob o número GO-01667/2026.
Os levantamentos representam fotografias do momento em que foram realizados e não determinam o resultado da eleição.
Goiás entre 11 disputas mais concentradas
Na análise nacional de Felipe Nunes, Goiás aparece ao lado de Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins entre as 11 disputas que apresentam maior concentração em torno de um candidato nas pesquisas consideradas até 25 de setembro.
Outros quatro estados — Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco — apresentam disputas concentradas entre dois nomes, com os demais candidatos mais distantes.
Há ainda Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rondônia e Acre, onde as movimentações registradas nas últimas rodadas também apontam para a possibilidade de definição no primeiro turno.
Caso 19 estados efetivamente encerrem a disputa em 4 de outubro, seria o maior número desde 2002. O maior registro no período ocorreu em 2010, quando 18 eleições estaduais terminaram na primeira rodada. Entre 2002 e 2022, a média ficou próxima de 15 estados.
O cenário, entretanto, permanece sujeito às movimentações do eleitorado até o dia da votação.
Menos candidatos na disputa
A análise aponta que uma das explicações para o cenário nacional está na redução do número de candidatos aos governos estaduais.
A média caiu de 8,3 candidaturas por estado em 2022 para 7,2 neste ano. Em Goiás, seis nomes disputam o Palácio das Esmeraldas: Daniel Vilela (MDB), Wilder Morais (PL), Marconi Perillo (PSDB), Luis Cesar Bueno (PT), Luciana Amorim (UP) e Danilo Pinheiro (PCO).
Com menos candidatos, os votos tendem a ficar mais concentrados entre os principais concorrentes. Na avaliação de Nunes, a redução está relacionada também à estratégia adotada pelos partidos diante das regras de acesso aos fundos partidário e eleitoral.
A eleição de deputados federais ganhou importância para a sobrevivência financeira e institucional das legendas. Nesse cenário, partidos podem optar por concentrar recursos nas chapas proporcionais em vez de lançar candidaturas próprias aos governos estaduais com menor perspectiva eleitoral.
Continuidade pesa em Goiás
Goiás também se destaca na análise por outro aspecto: a disposição do eleitorado em manter o atual grupo político no comando do Estado.
Segundo Nunes, nos estados em que o governador não está pessoalmente na disputa, um indicador relevante é a avaliação sobre se o governo merece eleger seu sucessor.
Goiás e Paraíba aparecem entre os estados em que aproximadamente 70% ou mais dos entrevistados manifestam essa percepção. Nesses dois casos, os candidatos ligados aos atuais governos aparecem à frente nas pesquisas consideradas pela análise.
A situação contrasta com estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Amazonas, onde a avaliação sobre a continuidade do grupo governista é menor e as disputas aparecem mais fragmentadas.
Em Goiás, as pesquisas recentes mostram uma distância entre Daniel e os dois principais adversários, mas também uma disputa pela segunda posição. Na Quaest divulgada no dia 24, Marconi registrou 19% e Wilder, 15%. Já no Goiás Pesquisas divulgado neste domingo, Wilder aparece com 18,2% e Marconi, com 13,8%.
Cenário será definido nas urnas
Apesar dos números registrados nesta reta final, a definição em primeiro turno depende exclusivamente dos votos depositados nas urnas em 4 de outubro.
Para vencer a eleição para governador sem necessidade de uma segunda rodada, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos.
Goiás tem 5.081.043 eleitores aptos a votar neste ano. Caso nenhum dos seis candidatos alcance a maioria absoluta dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
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Fonte: Jornal Opção