Irã promete não recuar após Trump rejeitar plano para reabrir Ormuz
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O Irã afirmou que manterá suas condições para reabrir o Estreito de Ormuz, apesar da rejeição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à proposta apresentada. Segundo a Al Jazeera, o chanceler Abbas Araghchi disse que o país não irá recuar do plano, que prevê a normalização da passagem de navios em até sete dias após o cumprimento de exigências dirigidas a Washington.
Trump rejeitou publicamente a proposta no sábado (26). O presidente americano afirmou que gostaria de alcançar um acordo, mas considerou os termos iranianos “inaceitáveis”. Apesar dessas declarações, Araghchi disse que o Irã ainda aguardava uma resposta formal transmitida pelos mediadores, de acordo com a Reuters.
Apresentado durante a Assembleia Geral da ONU e encaminhado aos Estados Unidos por intermédio do Catar, o roteiro iraniano vincula a reabertura de Ormuz ao fim do bloqueio naval americano aos portos do país, à suspensão de restrições sobre a venda de petróleo iraniano e à liberação de recursos congelados. Teerã também pede uma interrupção das hostilidades na região, incluindo os combates no Líbano. Araghchi afirmou que a contagem do prazo começaria após a aceitação do plano por Washington.
Há divergência entre as partes sobre o que ocorreria depois dessa etapa. O governo iraniano admite discutir um acordo mais amplo, mas um alto funcionário de Teerã disse à Reuters que o país não pretende fazer concessões sobre o enriquecimento de urânio nem enviar para o exterior seu estoque de urânio altamente enriquecido, mesmo que a proposta de paz seja aceita. O programa nuclear é uma das principais exigências americanas nas negociações.
A desconfiança também foi expressa pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que afirmou não confiar mais nas negociações com Washington. Ainda assim, em seu discurso na ONU, ele manteve aberta a possibilidade de uma solução diplomática. As conversas entre os dois países ocorreram sobretudo por canais indiretos durante a semana da Assembleia Geral.
A disputa em torno de Ormuz afeta uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de energia. O tráfego pelo estreito caiu acentuadamente desde o início da guerra, em fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e ameaças iranianas a embarcações na região. A rejeição americana ao roteiro de sete dias mantém sem prazo definido a retomada da navegação regular.
Fonte: Brasil 247