Flávio Bolsonaro quer usar padre em direito de resposta sobre Nossa Senhora Aparecida

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende escalar um padre para atuar como porta-voz em um direito de resposta contra perfis que divulgaram a afirmação de que ele planejava retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A estratégia foi revelada neste sábado (26) pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Flávio exerce mandato pelo Rio de Janeiro no Senado e integra o PL.

Segundo a apuração, a equipe de marketing do senador já preparou um texto para servir de base à gravação do religioso. A intenção é que o padre destaque na mensagem que questões relacionadas à fé não devem ser utilizadas como instrumento político para enganar eleitores.

A campanha afirma que é falsa a associação entre Flávio e uma iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil. O senador disputa a Presidência da República pelo PL em chapa com Alfredo Gaspar, candidatura já validada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A controvérsia ganhou força depois de uma declaração da jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor Econômico, durante participação na GloboNews. Ela mencionou “um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos” relacionado a uma tentativa de retirar de Aparecida a condição de padroeira. O conteúdo passou a circular nas redes e foi associado a Flávio.

A GloboNews fez uma retratação horas depois. A emissora esclareceu que a informação estava baseada em um projeto apresentado quase duas décadas atrás e que a proposta já havia sido arquivada pela Câmara dos Deputados.

O texto citado é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victorio Galli (PMDB-MT) em dezembro de 2007. A proposta pretendia substituir na Lei 6.802/1980 a expressão “Padroeira do Brasil” por uma referência a Nossa Senhora Aparecida como padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.

A Câmara registra que o projeto foi arquivado em 22 de agosto de 2008, depois de ser rejeitado quanto ao mérito na comissão responsável por analisá-lo. A proposta, portanto, não está em tramitação no Congresso.

O Metrópoles também registra que Galli atuou posteriormente como assessor especial da Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro. A existência desse projeto antigo passou a integrar a controvérsia depois que o conteúdo voltou a circular durante a campanha eleitoral de 2026.

TSE determinou retirada de publicações

O ministro André Mendonça, do TSE, determinou na sexta-feira (25) a remoção de publicações que apresentavam como verdadeira a afirmação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Na decisão provisória, o conteúdo foi tratado como “notoriamente inverídico”.

A decisão também determinou que as plataformas atuassem preventivamente contra a repetição da alegação. A ordem judicial foi proferida um dia antes da divulgação da estratégia da campanha de recorrer a um padre como porta-voz no direito de resposta.

Fonte: Brasil 247

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