Por Ricardo Mezavila — Brasil 247

O presidente Lula assinou a MP que combate as apostas eletrônicas. É uma resposta necessária a um verdadeiro drama social: o vício devora lares, principalmente os dos mais pobres, levando embora o dinheiro que deveria pagar comida, aluguel e remédios.

Em vez de apoiar a proteção ao povo, o Flamengo saiu em nota falando em prejuízos de milhões e em “segurança jurídica”. Defende o maior contrato de patrocínio do futebol brasileiro, firmado com a Betano.

O presidente do clube age, na prática, como advogado das bets. Mas a empresa não apareceu. Nenhuma bet assinou a nota. Se o contrato é bilateral — firmado por duas partes —, por que apenas o clube reclama? Onde estão os donos? Ficam nas sombras: sedes no exterior, holdings sobrepostas, nomes escondidos.

Usam a camisa dos clubes como escudo. O lucro vai para fora; o prejuízo social fica aqui, com o trabalhador. Mais da metade dos apostadores ganha até dois salários mínimos. É o dinheiro do povo que está sendo levado. A MP não ataca o futebol — protege o povo.

Se as bets são tão legítimas quanto dizem, que apareçam com rosto e nome. Enquanto se escondem atrás de clubes, fica claro: não querem enfrentar a luz. Se os contratos são tão justos e sólidos quanto afirmam, que as empresas venham a público. Que mostrem a cara, o nome, o endereço, os verdadeiros donos.

Que expliquem diretamente, sem intermediários, por que o vício deve continuar sendo financiado pelo bolso do trabalhador brasileiro. Nenhum contrato é tão irrevogável que possa prevalecer sobre a harmonia familiar e a saúde mental de milhões de brasileiros.

Alguns torcedores — assim como dirigentes de clubes — emprestam suas vozes na defesa do indefensável. O fazem porque não compreendem, ou não querem ver, o verdadeiro jogo que está sendo jogado.

Que bet é essa, afinal, que não tem rosto?

Fonte: Brasil 247

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