Às favas com os escrúpulos?
Por Carlos Carvalho — Brasil 247
Em dezembro de 1968, o ditador Costa e Silva reuniu seu governo com o objetivo de promulgar o Ato Institucional nº 5 – o famigerado AI-5 – que endureceria a ditadura civil-militar nascida no ano de 1964. Havia por parte do referido ditador, conforme alguns pesquisadores, uma certa relutância em assinar o AI-5, quando o ministro Jarbas Passarinho vomitou a frase: “Às favas, senhor presidente, com os escrúpulos de consciência”. E assim, o Brasil foi mergulhado num poço de sangue, desaparecimentos e assassinatos que ainda hoje atormentam e assombram nossa nação.
Sessenta e dois anos após o início da ditadura, muitos daqueles que a apoiaram ainda estão zumbizando por aí, uma vez que não foram punidos, o que os empoderou a tentar o golpe de Estado em 2022, que incluiu civis, militares, empresários, políticos e empresas de comunicação. Chegamos ao ano de 2026. Velhos e novos agentes da causa imperialista babam de raiva e tremem de desespero diante da possibilidade de ficarem mais uma vez distantes do poder, ou seja, está cada vez mais longe a possibilidade de entregar as riquezas naturais brasileiras ao neocolonizador, em troca de um Green Card e um abraço no Pateta. Desprovidos de carisma político, competência e inteligência, os avatares da mediocridade – salve, Rita Lee! – se nutrem do ódio e da raiva que produzem, tendo em vista que nada mais conseguem criar. São aqueles que, conforme Cazuza: “querem ser sócios do Country e ir a Nova York fazer compras”. Assim, não é difícil imaginar que devam dormir enrolados na bandeira do inimigo, sonhando com a reedição da Escola das Américas, antro de formação dos torturadores e ditadores que empestearam a América Latina por anos, deixando um rastro de sangue e morte.
O problema para eles, os filhotes da ditadura, como diria Leonel Brizola, é que ainda estamos aqui, e que “a política adora a traição, mas detesta os traidores”. E os esfaqueadores da pátria, parte constituinte da espinha dorsal da tradicional família brasileira, como aqueles que agitavam as noites na boate Madame Satã, que receberam mundos e fundos de um famoso agiota transformado em banqueiro, e que a este devem até a alma, se unem, como sempre fizeram, em escancarado ataque à soberania brasileira e a tudo aquilo que ela representa para uma nação em desenvolvimento e para o seu povo, o mesmo povo que nunca teve suas contas pagas por nenhum bandido engravatado, que não tem filhos medíocres com contratos de milhões e não tem a mínima ideia de quanto custa ou como se faz para comprar um parlamentar ou um magistrado.
As eleições que se aproximam serão, provavelmente, o teste mais difícil para a democracia brasileira. Será o momento de o povo brasileiro execrar aqueles que mandam os escrúpulos às favas, e lembrar daqueles que dele cuidam, dos homens e mulheres que estão preocupados em construir um país “e não abandoná-lo com uma pasta de dólares” e que, mesmo na adversidade hostil do dia a dia nos parlamentos, defendem “o sagrado pão dos filhos” da nossa gente. Nas eleições que batem à nossa porta, nós, o povo, teremos a oportunidade de escolher entre um estadista e um criminoso, entre um coronel ressentido e um progressista, entre a democracia e a barbárie, entre a vida e a morte.
Fonte: Brasil 247