Ecoansiedade: quando o medo de desastres climáticos afeta a saúde mental

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Publicado em 25 de Setembro de 2026 às 21:38

Pedro Nunes

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Dois anos após a enchente que devastou Mimoso do Sul, no Sul do Espírito Santo, moradores ainda convivem com o medo de uma nova tragédia. Para quem perdeu bens e precisou reconstruir a vida, a chegada de uma tempestade pode trazer de volta as lembranças de março de 2024. 

A comerciante Maria Aparecida Benevenutti perdeu a antiga loja durante a enchente de 2024 e precisou recomeçar em outro ponto da cidade. Segundo ela, o trabalho foi uma das formas encontradas para seguir em frente.

“A gente viveu um momento que vai ficar para sempre marcado  na vida de todo mundo de Mimoso . A gente procura sempre pensar positivo”, contou.

Em março de 2024, chuvas intensas provocaram uma das maiores tragédias da história de Mimoso do Sul. Cerca de 10 mil pessoas precisaram deixar suas casas e 18 morreram.  As marcas da enchente ainda podem ser encontradas pela cidade. 

Segundo a Defesa Civil municipal, o impacto também permanece na memória dos moradores. Por isso, o órgão destaca a importância de divulgar informações sobre a previsão do tempo com cuidado, para que os alertas de chuva orientem a população sem provocar pânico desnecessário.

A preocupação constante com novos desastres ambientais também pode afetar a saúde mental. Quando o medo de eventos climáticos extremos passa a interferir na rotina, pode estar relacionado à ecoansiedade, termo utilizado para descrever sentimentos de preocupação e angústia associados às mudanças climáticas e seus impactos.

Segundo o meteorologista Mauro Bernasconi, ouvido pelo repórter Matheus Passos, o aumento da frequência de eventos climáticos extremos e a ocupação de áreas de risco podem contribuir para a ocorrência de novas tragédias. Por isso, ele reforça a importância de a população acompanhar as informações meteorológicas.

O psiquiatra Yuri Barboza, por sua vez, destaca a necessidade de buscar informações de maneira cuidadosa, sem permitir que a preocupação com possíveis desastres domine a rotina.

Apesar das lembranças da enchente, Maria Aparecida conseguiu reconstruir a vida e prefere olhar para o futuro.

“Se eu consegui uma vez, eu vou conseguir de novo. Com a experiência que eu tenho agora, o que a gente estava errando, a gente voltou a acertar”, disse.

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