A direita vai perder de novo?
Por Emir Sader — Brasil 247
A direita só ganhou eleições quando elas não foram democráticas. Desde 1945, só triunfou em 1960, apelando para o aventureiro Jânio Quadros, cujo governo demorou poucos meses, depois de perder as eleições presidenciais de 1945, 1950 e 1955.
Chegou ao governo pela força com o golpe de 1964. Depois, só conseguiu ganhar em eleições não democráticas, com o impeachment da Dilma e a prisão do Lula — ações que o mesmo Judiciário que as havia tolerado e até aprovado depois reconheceu como erradas, admitindo que eles eram inocentes.
Desde então, houve governos de centro, na transição híbrida para a democracia. Instalou-se uma democracia, resultado de um compromisso de elites.
Desde que o PT teve sua primeira vitória, a direita só chegou ao governo depois de um golpe de novo tipo, o lawfare, a judicialização da política, em uma eleição que não foi democrática, porque o Lula estava preso e impossibilitado de se candidatar.
Afora essa situação, a direita sempre perdeu. Agora tenta de novo. Sugere um favoritismo do seu candidato, sem nenhum fundamento, contando com a colaboração da grande mídia para denunciar, depois de uma nova derrota, que teria havido fraude, para tentar não reconhecer a derrota.
Mas a última pesquisa do Datafolha segue dando vantagem para o Lula tanto no primeiro quanto no segundo turno. Não dá para manter a farsa do suposto favoritismo do filho do Bolsonaro.
É difícil para a direita conviver com a democracia. Não tem uma proposta de governo que atenda aos interesses da grande maioria da população. Ao contrário. Assume sempre o neoliberalismo, com sua política de Estado mínimo e de redução das políticas sociais.
Dessa forma, só poderia ter um resultado eleitoral positivo através de manobras, fake news, etc.
Entramos na fase do Vale-Tudo. O que ocorreu de manipulação da Globo na eleição do Collor contra o Lula vai parecer fichinha perto do que estão dispostos a fazer.
Há uma pesquisa da Quaest que diz que 55% dos votantes acham que o Lula ganha e apenas 30% consideram que o Flávio deve ganhar. Isto é, mesmo uma parte significativa dos que votam no Flávio acha que ele vai ganhar.
Os concorrentes controlam a última grande curva e entram na reta final. Em poucos dias decidiremos para que lado vai o Brasil: para mais democracia ou para o retorno do autoritarismo.
A disputa está aberta, ainda com o favoritismo do Lula. Com a diminuição dos votos dos candidatos nanicos, até uma vitória no primeiro turno ainda é possível.
Decidiremos entre o futuro e o passado. Mas tudo leva a crer que a direita brasileira vai sofrer mais uma derrota.
Fonte: Brasil 247