Em depoimento à PF, Vorcaro relatou repasses mensais de R$ 3 mi a grupo ligado a Jaques Wagner
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em uma proposta de delação premiada que um grupo ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia pagamentos mensais de R$ 3 milhões em propina. Segundo a coluna do jornalista Elijonas Maia, da CNN Brasil, as vantagens relatadas pelo ex-banqueiro teriam sido repassadas por diferentes mecanismos, incluindo contratos e pagamentos em espécie.
A proposta de colaboração apresentada pelo ex-banqueiro, contudo, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Vorcaro afirmou ainda que não presenciou pessoalmente o suposto acerto e atribuiu as informações sobre os repasses ao ex-sócio Augusto Lima.
Relato cita pagamentos de R$ 3 milhões por mês
De acordo com a proposta de delação, o grupo que Vorcaro associou a Jaques Wagner e ao ex-governador da Bahia Rui Costa teria recebido vantagens por diferentes vias.
O ex-banqueiro afirmou que R$ 2 milhões mensais seriam repassados por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One, empresa responsável pela exploração do Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos baianos.
Outros R$ 1 milhão seriam pagos em espécie e, segundo a versão apresentada por Vorcaro, destinados a aliados de Wagner.
A proposta menciona ainda distribuição de dividendos e lucros, além de contratos que Vorcaro classificou como fictícios envolvendo a PKL One. O ex-banqueiro também alegou que teriam sido celebrados contratos com pessoas indicadas pelo senador, incluindo um que envolveria uma filha de Wagner e uma empresa offshore.
Vorcaro atribui informação a Augusto Lima
Ao tratar da origem das informações, Vorcaro afirmou que não participou diretamente do suposto acerto. Segundo ele, foi Augusto Lima quem lhe relatou como teriam ocorrido os pagamentos relacionados à operação.
“Augusto Lima informou ao colaborador que precisou corromper os políticos baianos para adquirir a operação do Credcesta, razão pela qual cedeu a políticos participação societária na PKL”, diz um trecho do documento obtido primeiramente pelo UOL, segundo a CNN Brasil.
A CNN informou ter procurado as defesas de Jaques Wagner, Daniel Vorcaro e Augusto Lima sobre as novas alegações da proposta de colaboração, sem obter resposta até a publicação da reportagem. O espaço foi mantido aberto para manifestações.
Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho, após ser alvo da Operação Compliance Zero.
Fonte: Brasil 247