Pedidos de crédito do Plano do Brasil Soberano somam R$ 12 bi, diz BNDES
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – A procura pelas linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano alcançou R$ 12 bilhões em apenas uma semana, com 245 operações apresentadas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o Estadão Conteúdo, do montante solicitado pelas empresas, R$ 2,2 bilhões já foram aprovados.
Nesta etapa, o programa dispõe de R$ 22,6 bilhões, dos quais R$ 13,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões correspondem a recursos próprios do banco.
O volume solicitado em uma semana equivale a mais da metade do orçamento disponível nesta etapa. As linhas de financiamento são direcionadas a empresas atingidas pelas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, setores industriais considerados estratégicos e exportadores e fornecedores com negócios em países do Golfo Pérsico.
Brasil Soberano já aprova R$ 2,2 bilhões
Entre os R$ 2,2 bilhões aprovados, R$ 814 milhões foram destinados às empresas enquadradas no grupo 1 e a seus fornecedores. A categoria reúne companhias afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Para integrar esse grupo, empresas e fornecedores precisam ter sido atingidos pelas tarifas estadunidenses e registrado faturamento com exportações dos produtos afetados para os Estados Unidos equivalente a pelo menos 1% de sua receita bruta entre 1º de julho de 2024 e 30 de junho de 2025.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o programa constitui uma resposta do Estado brasileiro às dificuldades enfrentadas pelas empresas diante do cenário internacional.
“O tarifaço imposto de forma unilateral pelos Estados Unidos e a instabilidade no Oriente Médio exigiram uma resposta do Estado brasileiro para que as empresas nacionais tivessem condições de preservar a produção, os investimentos e as exportações. Nesse contexto geopolítico, o Brasil Soberano cumpre o papel de apoiar as empresas nacionais para que mantenham os negócios, diversifiquem os mercados exportadores e ampliem sua capacidade produtiva”, afirmou Mercadante em nota.
Fertilizantes concentram R$ 735 milhões
O grupo 2 recebeu a maior parcela dos recursos aprovados até agora. Foram R$ 843 milhões destinados a empresas de setores industriais considerados relevantes, incluindo os segmentos têxtil, químico, farmacêutico, de minerais estratégicos e de fertilizantes.
Desse montante, R$ 735 milhões foram direcionados especificamente às empresas de fertilizantes. O setor já acumula R$ 1,7 bilhão em pedidos de financiamento protocolados.
A elegibilidade das empresas desse grupo depende da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e contempla setores classificados como de média, média-alta ou alta intensidade tecnológica, além de atividades consideradas estratégicas.
Exportadores para o Golfo recebem R$ 512 milhões
O terceiro grupo contempla empresas exportadoras e fornecedores com negócios direcionados aos países do Golfo Pérsico. Nessa categoria, o BNDES já aprovou R$ 512 milhões.
Estão abrangidas operações relacionadas a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã.
Para acessar essas linhas, as empresas precisam ter registrado faturamento bruto proveniente de exportações equivalente a pelo menos 1% de sua receita entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025.
A verificação da elegibilidade é realizada pela plataforma do BNDES, com autenticação por meio do GOV.BR e certificado digital.
Crédito financia produção e investimentos
As linhas do Brasil Soberano podem ser utilizadas para capital de giro, capital de giro destinado à exportação, aquisição de máquinas e equipamentos e realização de projetos de investimento.
O financiamento também abrange iniciativas destinadas à ampliação da capacidade produtiva, à inovação tecnológica e à adaptação de produtos e processos.
As regras de acesso ao programa são estabelecidas pela Portaria Interministerial MDIC/MF nº 171/2026 e por alterações posteriores. A documentação oficial do BNDES informa que a nova etapa do Brasil Soberano foi estruturada para enfrentar impactos provocados por fatores geopolíticos e pela instabilidade internacional, incluindo os efeitos da elevação de tarifas comerciais.
O protocolo para todas as modalidades foi reaberto em 18 de setembro. Com R$ 12 bilhões solicitados em 245 operações na primeira semana, a demanda já consome, em termos de pedidos apresentados, uma parcela expressiva dos R$ 22,6 bilhões disponíveis nesta etapa do programa.
Fonte: Brasil 247