Flamengo volta a criticar fim das bets e diz que medida “atinge em cheio o esporte brasileiro”

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O Flamengo se posicionou nesta sexta-feira (25) contra a possibilidade de o governo federal proibir as casas de apostas no Brasil e afirmou que uma mudança abrupta nas regras colocaria em risco investimentos já realizados no futebol e em outras modalidades esportivas.

Em nota oficial divulgada nesta tarde, o clube criticou a intenção do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de editar uma Medida Provisória (MP) para restringir ou impedir a operação das bets no país. O Rubro-Negro sustentou que a discussão envolve uma questão de segurança jurídica e defendeu mudanças na regulamentação em vez da extinção do mercado legal.

“Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirmou o Flamengo.

O clube reconheceu que as normas para o setor podem ser endurecidas e aperfeiçoadas, mas argumentou que eventuais problemas devem ser enfrentados com fiscalização e punição às empresas que descumprirem a legislação.

“Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la”, acrescentou.

Segundo o Flamengo, uma eventual proibição atingiria não apenas os grandes clubes de futebol, mas toda a estrutura financiada direta ou indiretamente pelo setor de apostas.

“A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro”, declarou.

O clube citou possíveis consequências para o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e a realização de campeonatos. Também mencionou empregos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços como setores potencialmente afetados.

Atualmente, o Flamengo tem a Betano como patrocinadora máster. Embora o valor do contrato não tenha sido oficialmente divulgado, o acordo supera R$ 250 milhões e foi anunciado em 2025 como o maior patrocínio da história do futebol brasileiro.

O impacto mais imediato de uma eventual proibição seria justamente sobre os contratos comerciais. Treze clubes da Série A mantêm atualmente acordos de patrocínio máster com empresas de apostas, e dirigentes estimam uma perda próxima de R$ 1 bilhão apenas nessa fonte de receita.

Os clubes também apontam possíveis efeitos indiretos sobre os direitos de transmissão. Parte relevante das receitas publicitárias das emissoras que transmitem competições esportivas vem das casas de apostas, o que, segundo as equipes, poderia reduzir a capacidade de investimento das empresas de comunicação e atingir também as premiações dos torneios.

Outro segmento citado é o de publicidade em estádios, incluindo placas e outros espaços comerciais associados às partidas.

A movimentação ocorre enquanto o governo discute o formato definitivo da Medida Provisória. Reportagem da Reuters publicada na quinta-feira (24) informou que Lula pediu à equipe técnica uma proposta de veto total às apostas online, embora integrantes do governo ainda avaliassem aspectos jurídicos e técnicos antes da decisão final.

O UOL também informou que áreas técnicas trabalhavam com a possibilidade de impedir tanto apostas esportivas quanto jogos de cassino online. A legislação atualmente em vigor, consolidada pela Lei 14.790, de 2023, criou regras para a exploração das apostas de quota fixa no país.

A reação dos clubes começou antes da manifestação individual do Flamengo. No dia 17, equipes das Séries A e B divulgaram um manifesto conjunto contra a possibilidade de proibição e passaram a buscar diálogo com representantes do governo sobre o futuro do setor.

Lula, por sua vez, tem defendido publicamente restrições às bets ao argumentar que o crescimento das apostas provoca endividamento e problemas sociais. Em ato eleitoral no último dia 18, o presidente mencionou Flamengo, Corinthians e outros clubes para contestar a avaliação de que o futebol brasileiro não sobreviveria sem os recursos do setor.

Na nota desta sexta-feira, o Flamengo também argumentou que a proibição das empresas legalizadas não eliminaria as apostas clandestinas. O clube citou pesquisa do Instituto Locomotiva feita em maio de 2026 com 2.291 apostadores e um estudo da LCA Consultores baseado nesses dados.

Segundo os números apresentados pelo Flamengo, entre 38% e 44% do dinheiro apostado pela internet no Brasil estaria atualmente direcionado a plataformas clandestinas. A estimativa para 2025 ficava entre 41% e 51%.

“O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar”, afirmou o clube.

O Flamengo também citou possíveis efeitos sobre a arrecadação pública, uma vez que as empresas autorizadas pagam impostos e estão submetidas às destinações previstas na legislação.

Para o clube, o foco do poder público deveria estar no combate às plataformas ilegais e no aperfeiçoamento das regras de proteção aos apostadores, sem eliminar o mercado regulamentado.

“O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população. Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas”, afirmou.

Ao concluir a manifestação, o Flamengo voltou a alertar para os efeitos econômicos da eventual proibição.

“O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.”

Fonte: Brasil 247

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