Parlamentares dos EUA acusam Trump de interferir no Brasil

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Por Hiroshi Bogéa — Opinião em Pauta

Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos enviou nesta quinta-feira (24) uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual manifesta preocupação com o que classifica como uma possível interferência do governo de Donald Trump nas eleições presidenciais brasileiras de 2026.

O documento é assinado por 30 deputados democratas e pelo senador independente Bernie Sanders. Entre os signatários também está a deputada Alexandria Ocasio-Cortez. Os parlamentares pedem que o governo americano se comprometa publicamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro e a reconhecer o resultado oficial das urnas, independentemente de qual candidato seja eleito.

Na carta, os congressistas afirmam existir um “esforço coordenado” da administração Trump para pressionar o Brasil e, segundo a avaliação deles, enfraquecer a democracia brasileira às vésperas da eleição presidencial de outubro.

Os parlamentares relacionam uma série de medidas adotadas pelo governo americano a uma possível tentativa de favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os episódios citados estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e as sanções aplicadas a autoridades do país. Segundo os congressistas, as medidas comerciais adotadas durante o processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro teriam sido utilizadas como instrumento de pressão sobre as instituições brasileiras. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre prisão domiciliar.

A carta também menciona Darren Beattie, nomeado pelo governo Trump para atuar em assuntos relacionados ao Brasil. Os parlamentares fazem críticas contundentes ao histórico político de Beattie e questionam sua atuação em relação ao processo brasileiro.

Outro ponto levantado é a tentativa de envio de representantes do governo americano ao Brasil para tratar de questões relacionadas à integridade do sistema eleitoral. Segundo os congressistas, a iniciativa poderia contribuir para colocar em dúvida um processo eleitoral reconhecido internacionalmente por sua confiabilidade. O governo brasileiro acabou negando vistos à delegação americana.

Os democratas também citam a aplicação da Lei Global Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras e a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.

Na avaliação dos parlamentares, essas medidas fazem parte de um padrão mais amplo de atuação do governo Trump em processos eleitorais recentes na América Latina. Eles mencionam, entre outros casos, as eleições na Colômbia e em Honduras e as eleições legislativas na Argentina.

Os congressistas também estabelecem uma comparação com a postura adotada pelo governo Joe Biden durante as eleições brasileiras de 2022. Segundo eles, naquela ocasião Washington manifestou apoio à democracia brasileira, ao sistema eleitoral e ao reconhecimento do resultado das urnas.

Na carta, os parlamentares afirmam que, em vez de contribuir para a defesa das instituições democráticas brasileiras, a atual política americana estaria utilizando instrumentos diplomáticos, econômicos e políticos que, segundo eles, podem enfraquecer a confiança no processo eleitoral e provocar novos danos à relação entre Brasil e Estados Unidos.

Ao final, os congressistas pedem que o governo Trump confirme seu compromisso de respeitar a eleição brasileira, reconhecer o resultado certificado das urnas e manter relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelos eleitores, independentemente de sua identidade.

Lula critica ingerência estrangeira

A manifestação dos parlamentares americanos ocorre dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordar o tema da soberania nacional em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Sem citar diretamente Donald Trump, Lula criticou tentativas de interferência externa em processos políticos de países da América Latina e do Caribe.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos”, afirmou o presidente.

Em seu discurso, Lula também defendeu a soberania dos países e condenou iniciativas externas que, segundo ele, buscam influenciar decisões políticas nacionais. A fala ocorreu em meio à crescente tensão diplomática entre Brasília e Washington e às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial brasileira. (Foto: Reuters)

Por Opinião em Pauta com informações da Reuters

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Fonte: Opinião em Pauta

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