Como será o processo de remoção do helicóptero após queda que matou Rick e outros quatro em SC
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – A retirada de helicóptero que matou Rick e outras quatro pessoas em Santa Catarina deverá começar pela remoção de combustível e de outros materiais que possam oferecer risco. A empresa proprietária da aeronave será responsável por retirar os destroços e limpar a área do acidente, em uma encosta de difícil acesso em Urubici, na Serra catarinense.
As informações foram publicadas pelo g1 nesta sexta-feira (25), com base em explicações do especialista em Aeronáutica pela Universidade de São Paulo (USP) James Waterhouse e em dados da Força Aérea Brasileira (FAB). Apesar de a operação já ter sido autorizada, ainda não há previsão para a remoção efetiva da aeronave.
O helicóptero Bell 430 caiu na segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina, e São Joaquim, na Serra. A aeronave foi localizada no dia seguinte. Na quarta-feira (23), uma equipe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à FAB, recuperou a caixa-preta, que será analisada durante a investigação.
Segundo Waterhouse, a primeira etapa após a liberação do local pelo Cenipa é eliminar fontes capazes de provocar incêndios, explosões ou outros acidentes durante o trabalho de retirada.
“Após a liberação pelo Cenipa, o protocolo deve ser a retirada de combustível e/ou itens inflamáveis, baterias, tanques de oxigênio ou vasos de pressão, bem como qualquer componente que possa implicar em riscos. Após isso, a retirada deve ser feita de forma a minimizar riscos a pessoas e propriedade”, explicou o professor.
O procedimento ganha complexidade pelas características do local. Os destroços permanecem em uma área de encosta e com acesso difícil. O Bell 430 envolvido no acidente tem peso máximo de decolagem de 4.218 quilos, fator que também deverá ser considerado no planejamento da operação.
A aeronave pertence à JTA Empreendimentos e Urbanismo, empresa sediada em Porto Belo. Segundo as informações divulgadas, o helicóptero havia sido emprestado ao empresário Bruno Avelar e ao cantor Rick, que eram próximos do proprietário da companhia. A empresa informou que recebeu autorização para iniciar a retirada dos destroços.
Pelo Código Brasileiro de Aeronáutica, cabe ao proprietário providenciar não apenas a remoção da aeronave e dos bens transportados, mas também a higienização da área atingida. A medida busca evitar riscos à segurança, à saúde pública, ao meio ambiente e a propriedades de terceiros.
Waterhouse explicou ainda que aeronaves contam com um seguro obrigatório chamado Responsabilidade Civil do Explorador ou Transportador Aéreo (Reta), destinado à cobertura de danos provocados a pessoas e ao solo em acidentes aeronáuticos.
O helicóptero de matrícula PP-MGR foi fabricado em 2001 e tinha capacidade para um piloto e sete passageiros. De acordo com o cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a situação da aeronave era regular, com certificação de operação válida até 11 de agosto de 2027 e autorização para voos noturnos.
Além de Rick, da dupla sertaneja Rick & Renner, morreram no acidente o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. O grupo havia partido de Porto Belo na manhã de segunda-feira com destino a São Joaquim, mas não chegou ao local previsto.
As causas da queda ainda não foram determinadas. Entre as hipóteses mencionadas por especialistas estão uma possível colisão com obstáculo, voo abaixo do nível das montanhas e condições meteorológicas adversas. A região estava sob aviso para fortes tempestades emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no dia do acidente.
A apuração ocorre em duas frentes. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da queda, enquanto o Cenipa conduz a investigação técnica voltada à prevenção de novos acidentes aeronáuticos.
A análise da caixa-preta, somada à inspeção dos destroços e aos demais dados coletados no local, deverá ajudar os investigadores a reconstruir os últimos momentos do voo e identificar os fatores que contribuíram para a queda do helicóptero.
Fonte: Brasil 247