EUA e Irã discutem acordo gradual para reabrir Estreito de Ormuz

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – Negociadores dos Estados Unidos e do Irã discutem em Nova York um acordo gradual para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o bloqueio econômico americano. A proposta busca criar uma saída para o conflito, que se prolonga há quase sete meses, mas esbarra na resistência de ambos os países em abrir mão de suas principais formas de pressão antes de obter garantias. As informações são da agência Reuters, que ouviu fontes próximas às conversas.

Segundo a Reuters, um alto funcionário iraniano considera mais viável uma sequência de concessões: Teerã permitiria novamente a passagem de navios pelo estreito, enquanto Washington suspenderia o bloqueio. O Irã também poderia obter acesso a recursos congelados. Não há acordo fechado, e as fontes ouvidas pela agência apontam a dificuldade de estabelecer medidas que cada lado considere duradouras.

“Uma forma de avançar seria resolver a crise por etapas. A primeira seria pôr fim ao bloqueio e reabrir o Estreito de Ormuz”, afirmou o funcionário iraniano à margem da Assembleia Geral da ONU.

A proposta concentra as negociações em duas questões imediatas. O bloqueio restringe as exportações de petróleo do Irã, uma fonte de divisas para o país. Já a interrupção da navegação por Ormuz afeta uma rota estratégica para o abastecimento mundial de petróleo. Washington quer restabelecer a livre passagem; Teerã busca alívio econômico antes de abandonar sua posição de força.

A possibilidade de um entendimento temporário também exige superar a desconfiança criada pelo fracasso de uma negociação anterior, em julho. Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que o desafio é definir a ordem das medidas e assegurar que as concessões de um país sejam acompanhadas pelas do outro.

A Casa Branca mantém um discurso de pressão. Um funcionário do governo americano disse à Reuters que Donald Trump está “aberto a conversar com o Irã nas circunstâncias certas”, mas sustentou que o presidente não precisa negociar. Segundo ele, as sanções e o bloqueio colocam Washington em uma posição forte. Trata-se da avaliação apresentada pelo funcionário americano, enquanto as conversas sobre uma possível troca de medidas continuam.

Taxas de passagem podem ficar fora do acordo principal

O Irã sinalizou flexibilidade em uma questão específica. De acordo com fontes regionais ouvidas pela Reuters, Teerã admite retirar do texto principal a exigência de pagamento de taxas pela passagem em Ormuz e tratar do assunto em um documento separado. Isso não representaria uma renúncia definitiva à cobrança.

Para o governo iraniano, preservar sua autoridade administrativa sobre o estreito continua sendo uma prioridade. Os países do Golfo rejeitam tanto a cobrança de taxas quanto qualquer arranjo que consolide o controle iraniano sobre a rota. Em reunião com Trump em Nova York, seus líderes defenderam a liberdade de navegação e pediram uma solução política que evite uma nova escalada militar na região, segundo as fontes consultadas pela agência.

O calendário político americano acrescenta incerteza às tratativas. Trump afirmou acreditar que um acordo poderia ser alcançado depois das eleições legislativas de 3 de novembro. Dennis Ross, ex-negociador dos Estados Unidos, estimou à Reuters em 30% a chance de um entendimento antes da votação. Ele avalia, porém, que os dois governos podem ter incentivos maiores para negociar agora: a reabertura de Ormuz poderia aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e da gasolina nos EUA, enquanto o Irã precisa de alívio para sua economia.

Não está claro se esses incentivos serão suficientes para produzir concessões. Um alto funcionário iraniano disse que o país também se prepara para a possibilidade de retomada dos combates. Assim, as conversas em Nova York avançam sob uma condição central ainda sem solução: como reabrir o estreito e suspender o bloqueio sem que um dos lados perca sua vantagem antes de receber a contrapartida negociada.

Fonte: Brasil 247

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