MP aponta Beto Louco e Primo como líderes de esquema no setor de combustíveis

0

Por Felipe Rabioglio — ICL Notícias

ouça este conteúdo
00:00 / 00:00

1x

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como líderes de uma organização criminosa investigada por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Os dois estão foragidos da Justiça.

As suspeitas são investigadas na Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Receita Federal. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e mira uma estrutura financeira que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para esconder a origem e os beneficiários de recursos movimentados pelo grupo.

A operação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A Justiça paulista também determinou bloqueios de contas e a indisponibilidade de imóveis e ativos financeiros relacionados aos investigados, à distribuidora Terrana e a fundos citados no processo.

Investigação apura compra da Terrana

Um dos principais focos da investigação é a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana. Para o Ministério Público, a operação teria sido estruturada para esconder os verdadeiros beneficiários do negócio.

A suspeita é que empresas e fundos de investimento tenham sido utilizados em diferentes etapas para movimentar recursos e dar aparência regular às transações. A distribuidora seria usada para abastecer uma rede de postos ligada ao grupo investigado.

Entre as estruturas analisadas está o Radford Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, que tinha a Usina Itajobi como cotista. Também aparecem na investigação as empresas Berna Holdings e Branson Holdings, formalmente registradas em nome de Paulo Nárcelio Simões do Amaral. Segundo o Gaeco, ambas tinham capital social de R$ 1 mil.

A apuração também identificou duas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) relacionadas ao Banco Genial, nos valores de R$ 60,5 milhões e R$ 99,8 milhões.

Segundo os investigadores, os recursos teriam sido empregados na aquisição do Fundo Derby 44, atualmente chamado Wels, e da Tramp Oil (Brasil), hoje Branson Oil, apontada como proprietária da totalidade das cotas da Terrana.

Outra empresa investigada é a 7Seven Apoio e Serviços Administrativos. De acordo com o MP, ela teria sido utilizada para movimentar dinheiro por meio das chamadas “contas bolsão” e realizar pagamentos a funcionários da distribuidora.

Executivos do mercado financeiro estão entre investigados

A investigação também apura a participação de empresários e executivos ligados ao mercado financeiro na montagem e operação da estrutura.

Entre os investigados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-sócio e ex-diretor do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá. O Ministério Público atribui a eles participação na estruturação de garantias bancárias e no financiamento das operações investigadas.

Outro alvo é Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos e ligado ao Fundo Celebration. Freixo também é delator nas investigações envolvendo o Banco Master.

Segundo o Gaeco, empresas ligadas ao empresário teriam funcionado como “contas de passagem”, utilizadas para movimentar dezenas de milhões de reais destinados ao Fundo Radford e à Usina Itajobi.

A Credihome SCD, atualmente Octa, também aparece na apuração. A instituição, adquirida pelo Grupo Entre, teria aberto uma conta para a Usina Itajobi um dia antes da emissão das CCBs relacionadas ao financiamento das operações.

Segundo os dados apresentados na investigação, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações consideradas atípicas envolvendo Freixo, com R$ 71 milhões em créditos e R$ 128 milhões em débitos. O MP também aponta repasses superiores a R$ 1,2 bilhão envolvendo empresas de consultoria ligadas ao grupo.

Mensagens indicariam tentativa de afastar empresas do grupo

A investigação também analisa mensagens encontradas em celulares apreendidos após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.

Segundo o Ministério Público, as conversas indicariam uma tentativa de reduzir os vínculos formais entre a Terrana e Beto Louco e Primo depois do avanço das investigações.

O material menciona o contador Gunar Marcondes da Silva, o gerente Gustavo Nascimento de Oliveira e Ioná Patricia de Lima Andrade. A coordenação das medidas é atribuída pelos investigadores a Primo.

De acordo com o MP, em setembro de 2025 foi elaborado um conjunto de medidas para afastar formalmente a Terrana das demais empresas relacionadas ao grupo. Entre as providências discutidas estavam a transferência de funcionários para outro endereço e a retirada da marca Terrana das fachadas de postos.

Os investigadores afirmam ainda que havia uma orientação para apresentar publicamente a empresa como integrante de um “programa de franquias em revisão”.

MP rejeitou proposta de colaboração

Segundo informações apresentadas pelo MPSP no caso, Beto Louco e Primo também tentaram negociar acordos de colaboração premiada com o Ministério Público paulista.

As propostas foram rejeitadas pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.

De acordo com o material da investigação, a recusa teria ocorrido após a avaliação de que os empresários omitiram informações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Também teriam sido identificadas inconsistências em informações envolvendo possíveis relações com agentes públicos e políticos.

Outro lado

Procurada, a defesa de Antonio Carlos Freixo Junior informou que não irá se manifestar.

Em nota, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá deixou de integrar a diretoria e o quadro societário da instituição em maio de 2026. O banco também disse ter fornecido informações ao Gaeco, realizado comunicações ao Coaf e adotado medidas adicionais de governança e controle.

Veja a nota na íntegra:

“O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.

Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.

No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.

A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.

A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.“


Evento Online


Evento Online


Informações em primeira mão! Siga o canal do ICL Notícias no WhatsApp


Acesso total a mais de 300 cursos, materiais e séries! Seja Membro ICL


Siga e acompanhe as atualizações do ICL Notícias também pelo Google News

Beto Loucoministério público

Relacionados


Ministério Público de SP denuncia cinco sob acusação de esquema de venda de sangue de gatos

VIOLÊNCIA ANIMAL

Ministério Público de SP denuncia cinco sob acusação de esquema de venda de sangue de gatos

Caso veio a público em outubro do ano passado após prisões em Monte Alto, no interior paulista


PF analisa contratos do Ministério da Saúde com empresa ligada a alvos da Carbono Oculto

Investigação

PF analisa contratos do Ministério da Saúde com empresa ligada a alvos da Carbono Oculto

Investigadores dizem que ex-dona da distribuidora de medicamentos era ‘laranja’ de Beto Louco e Primo


Juízes e procuradores flexibilizam férias para terem seis meses de folga por ano

Judiciário

Juízes e procuradores flexibilizam férias para terem seis meses de folga por ano

Conselho da Justiça Federal e Ministério Público Federal mudam regra para possibilitar fracionamento em 12 parcelas de cinco dias cada

Carregar Comentários

Fonte: ICL Notícias

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *