Delegação brasileira se retira do plenário da ONU durante discurso de Netanyahu

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Por Wendal Carmo — Carta Capital

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Representantes de outros países também fizeram o mesmo

A delegação do Brasil abandonou o plenário da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, assim que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou seu discurso, na tarde desta quinta-feira 24. Representantes de outros países também fizeram o mesmo.

Em meio à debandada, Netanyahu atacou os que deixaram o plenário: “Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam-no agora”.

O presidente da sessão, Khalilur Rahman, teve de pedir mais de uma vez ordem no espaço em razão das vaias. A cena foi semelhante à registrada na Assembleia-Geral do ano passado: mais uma vez, o premiê de Israel subiu ao palco sob aplausos tímidos, enquanto as delegações de diversas nações se levantavam, davam as costas e se retiravam do local.

A delegação brasileira no momento do discurso era composta por funcionários da missão do País na ONU. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York, mas não participou da sessão desta quarta porque tinha um compromisso marcado com a UNRWA, agência das Nações Unidas voltada à proteção de refugiados palestinos.

Em discurso ao plenário esvaziado, Netanyahu disse que a ofensiva israelense contra instalações nucleares do Irã teria servido para a proteção de todo o mundo. Além disso, acusou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de antissemitismo. Em julho, o político nova-iorquino havia ameaçado prender o premiê com base no mandado expedido pelo Tribunal Penal Internacional.

O primeiro-ministro chamou de “a maior mentira do século” a acusação de genocídio contra Israel e afirmou que o Hamas usa civis como escudos humanos. Ao se dirigir a Mamdani, Netanyahu afirmou que judeus “não se sentem mais seguros em Nova York” desde a eleição do prefeito. Também acusou o político de fazer “acusações falsas e repetidas” de genocídio contra Israel e disse que o prefeito tentou impedir sua presença na ONU.

O governo brasileiro tem adotado uma postura de firme crítica às ações militares de Israel em Gaza, classificando-as como genocídio, ao mesmo tempo em que apoia a criação de dois Estados para resolver o conflito histórico. Durante seu discurso na Assembleia na terça-feira 22, o presidente Lula acusou novamente o País de genocídio no enclave palestino.

Lula também falou sobre “os assentamentos ilegais na Cisjordânia, que tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados” e acrescentou que “ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio”. Sobre o conflito no Irã, a diplomacia brasileira adota uma postura de condenação ao uso da força por ambos os lados, defendendo a máxima contenção e o diálogo diplomático.

*Com informações da AFP.


Wendal Carmo

Repórter do site de CartaCapital no Nordeste

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Fonte: Carta Capital

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