Sabia quem é Willer Tomaz, investigado que viajou com Flávio Bolsonaro em jatinho ligado a Vorcaro

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O advogado Willer Tomaz, que acompanhou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil em janeiro de 2025, entrou na mira da Polícia Federal em um desdobramento da Operação Sem Desconto. Segundo reportagem publicada pelo G1 nesta quinta-feira (24), investigadores apuram a atuação de Tomaz em movimentações financeiras e patrimoniais relacionadas ao núcleo que envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA). A defesa nega vínculo do advogado com irregularidades nos benefícios do INSS.

Tomaz estava com Flávio Bolsonaro e seus familiares no voo de retorno ao Brasil. A aeronave tinha ligação com uma empresa associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master. Reportagens publicadas nesta quinta confirmaram que o senador viajou no jato e que Tomaz integrava o grupo de passageiros.

A Polícia Federal chegou ao nome de Tomaz durante o avanço das investigações da Operação Sem Desconto, que apura descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A corporação e a Controladoria-Geral da União iniciaram a operação em abril de 2025.

Em agosto deste ano, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão contra Tomaz durante uma etapa da investigação que também alcançou familiares de Weverton Rocha. A corporação passou a examinar possíveis movimentações financeiras e patrimoniais relacionadas ao grupo e apura a suspeita de que pessoas físicas, empresas, contas de terceiros e operações em espécie tenham servido para ocultar a origem ou o destino de recursos.

Os investigadores descrevem Tomaz como um ponto de apoio financeiro, patrimonial e logístico relacionado a Weverton. Segundo documentos da apuração, empresas, imóveis, aeronaves, funcionários e operadores financeiros aparecem entre os elementos associados ao advogado e analisados pela Polícia Federal.

Uma das frentes da investigação envolve a mulher do senador, Samya Rocha. A PF afirma que a conta pessoal dela funcionava como alternativa para o recebimento de valores e aponta repasses superiores a R$ 11 milhões, em 2024, por empresas relacionadas a Willer Tomaz. A apuração busca esclarecer a origem, a finalidade e os beneficiários das movimentações.

A corporação também analisa a compra de uma casa por R$ 6 milhões. Segundo a investigação, Weverton participou das tratativas para a aquisição do imóvel, mas uma empresa ligada a Tomaz registrou a propriedade em abril de 2023. A PF apura se o senador exercia o domínio econômico sobre o bem apesar de não aparecer formalmente como proprietário.

A relação entre Tomaz e Flávio ganhou destaque depois da divulgação da viagem realizada em janeiro de 2025. O senador retornou dos Estados Unidos com a família e o advogado em uma aeronave que, naquele período, uma empresa ligada a Vorcaro administrava. O candidato do PL confirmou que utilizou o jato.

Tomaz contesta qualquer relação com o ex-banqueiro. Em nota, afirmou: “Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza. A venda da cota de terceiro à Prime You ocorreu sem o conhecimento e sem a anuência de Willer Tomaz. Ao tomar ciência, em abril de 2026, denunciou o contrato e está desde então em litígio com a Prime You”.

A defesa também rejeita a afirmação de que Tomaz participe diretamente de uma investigação sobre desvios de aposentados e pensionistas. “A apuração diz respeito tão somente à propriedade de um imóvel. A hipótese da investigação é de que o imóvel pertenceria a um parlamentar”, afirmou o advogado. Reportagens sobre a etapa da Operação Sem Desconto registraram a mesma posição da defesa, que sustenta não existir vínculo entre Tomaz e o esquema de descontos previdenciários investigado pela PF.

O nome de Tomaz já havia aparecido em uma investigação federal em 2017. Naquele ano, a Polícia Federal prendeu o advogado durante a Operação Patmos, aberta a partir da colaboração premiada de executivos da JBS. A apuração tratava, entre outros pontos, de suspeitas de interferência em investigações da Operação Greenfield, voltada para irregularidades envolvendo fundos de pensão. O Supremo Tribunal Federal determinou a soltura de Tomaz em agosto daquele ano.

Agora, as diligências relacionadas à Operação Sem Desconto concentram-se nas relações patrimoniais e financeiras identificadas pela PF a partir do material reunido nas investigações sobre Weverton Rocha. Tomaz mantém a posição de que não participou de desvios no INSS e nega qualquer relação comercial ou pessoal com Daniel Vorcaro.

Fonte: Brasil 247

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