Heineken revisa estratégia de sustentabilidade e coloca consumo responsável no centro das metas para 2030
umsoplaneta

A Heineken revisou sua estratégia global de sustentabilidade para 2030 e colocou o consumo responsável em uma posição de maior destaque dentro da agenda da companhia. A nova fase da estratégia “Brew a Better World”, chamada no Brasil de “Brinda um Mundo Melhor”, reorganiza os compromissos em três pilares: Responsabilidade, Social e Ambiental.
A empresa afirma que a revisão marca uma nova etapa da estratégia iniciada em 2021. A mudança ocorre após cinco anos da estratégia anterior, lançada em 2021 com a proposta de elevar a ambição da companhia em sustentabilidade. Segundo Lígia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo Heineken no Brasil, a revisão busca simplificar os compromissos e aproximá-los ainda mais da operação e da estratégia de negócios. Ou seja, incorporar a Sustentabilidade à tomada de decisões sobre produtos, operações, cadeia de valor e relacionamento com consumidores.
“A sustentabilidade não é uma agenda paralela”, afirma Lígia. Segundo ela, a nova etapa procura conectar os compromissos ambientais e sociais à resiliência do negócio e à geração de valor para a cadeia.
A companhia também mudou a lógica de algumas metas. Compromissos que já foram incorporados à operação – e cujas metas já foram atingidas – deixam de ser tratados como objetivos isolados e passam a ser considerados fundamentos do negócio. É o caso, por exemplo, da destinação de resíduos. Segundo Lígia, quando uma operação já atingiu a destinação de 100% dos resíduos sem envio a aterros, esse resultado deixa de ser visto como uma meta futura e passa a fazer parte da maneira como a empresa opera.
A mesma lógica vale, segundo a executiva, para temas como informações nos rótulos e princípios relacionados a direitos humanos.
Consumo responsável ganha espaço
Entre as principais mudanças está a ampliação do pilar de Responsabilidade, que passa a ter metas específicas relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas e à diversificação do portfólio. A empresa estabeleceu como objetivo aumentar em 25% o volume de produtos com baixo teor alcoólico e sem álcool até 2030.
Também pretende direcionar 15% dos investimentos de mídia da marca Heineken para a Heineken 0.0, com a ambição de alcançar mais de 1 bilhão de consumidores por ano.
Outra meta é destinar 50% da visibilidade da Heineken 0.0 nos principais patrocínios globais anualmente. A empresa já mantém iniciativas de comunicação relacionadas ao consumo responsável e informa, em seu site brasileiro, que investe cerca de 10% do orçamento de marketing em campanhas sobre o tema.
Para Lígia, a mudança não significa apenas ampliar a oferta de produtos sem álcool, mas incorporar a discussão sobre responsabilidade à estratégia comercial e de comunicação da companhia.
A executiva afirma que um dos desafios é fazer com que a agenda seja incorporada às diferentes áreas da empresa, incluindo desenvolvimento de produtos, marketing e comunicação.
Entre as outras mudanças, no pilar social, uma das alterações apontadas pela companhia é a transformação de compromissos mais amplos em objetivos mensuráveis. A nova estratégia prevê apoiar mais de 300 mil pessoas nas comunidades e na cadeia de valor até 2030, com iniciativas relacionadas a oportunidades econômicas, diversidade, equidade e inclusão.
No Brasil, a agenda social é conduzida também pelo Instituto Heineken . Segundo os dados divulgados pela companhia, desde 2022 mais de 50 mil pessoas foram impactadas por iniciativas voltadas a catadores de materiais recicláveis, vendedores ambulantes e jovens em situação de vulnerabilidade.
Entre os programas citados estão o Cri.Ativos da Favela, realizado em parceria com a CUFA e a Favela Filmes, e o Casa do Futuro, desenvolvido com o Senac São Paulo. A empresa afirma que mais de 16 mil jovens participaram de iniciativas de formação e desenvolvimento, enquanto mais de 20 mil catadores e 19 mil ambulantes foram apoiados por projetos de inclusão social, cidadania e valorização do trabalho.
Na diversidade, a companhia mantém o objetivo de chegar a 40% de mulheres em posições de liderança sênior. A Heineken Brasil também mantém compromissos relacionados à presença de pessoas negras em posições de liderança.
Água ganha metas mais ambiciosas
No pilar ambiental, a água aparece como uma das prioridades, uma vez que é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação da cerveja. A nova estratégia global estabelece a redução do consumo médio de água para 2,4 hectolitros de água por hectolitro de cerveja (hl/hl) em regiões de estresse hídrico e para 2,6 hl/hl globalmente até 2030. Esses objetivos também aparecem atualmente na agenda ambiental divulgada pela operação brasileira.
No Brasil, a companhia cita projetos em Itu (SP), região classificada como de estresse hídrico, com ações voltadas à redução do escoamento superficial, aumento da infiltração de água no solo e recarga de aquíferos. Na região de Passos (MG), trabalha na bacia do Ribeirão Bocaina com conservação ambiental e apoio a produtores rurais.
Segundo Lígia, atingir as novas metas de eficiência hídrica exigirá investimento em tecnologia e inovação. A executiva cita a cervejaria de Alexânia (GO) como exemplo de operação em que a busca por eficiência ambiental também pode representar ganhos de eficiência para o negócio.
A estratégia ambiental brasileira da empresa inclui ainda metas de descarbonização e circularidade. Entre os compromissos divulgados estão o Net Zero em toda a cadeia de valor até 2040, 43% dos volumes vendidos em formatos retornáveis e 50% de conteúdo reciclado em garrafas e latas até 2030.
Circularidade passa a ser tratada também como negócio
A revisão das metas não significa, segundo Lígia, o abandono de iniciativas que já estão em andamento. Projetos relacionados a resíduos, reciclagem e embalagens retornáveis continuam fazendo parte da atuação brasileira. A mudança está na forma de conectar essas iniciativas à estratégia empresarial.
Um exemplo é a Heineken Spin, plataforma de negócios de impacto que reúne iniciativas relacionadas a circularidade, agricultura regenerativa, energia renovável e marcas de impacto. Segundo a executiva, a proposta é buscar oportunidades em que a circularidade não seja apenas uma resposta a exigências regulatórias, mas possa também gerar eficiência e novas oportunidades econômicas dentro da cadeia.
“Não adianta nada ser o primeiro, mas ser o único”, resume Lígia, ao explicar a importância de ampliar a colaboração com empresas, empreendedores e outros atores do ecossistema.
A empresa também cita projetos de inovação ligados a produtos e causas socioambientais. Entre os exemplos estão a incubadora Better Drinks, a cerveja sem glúten Praya e iniciativas associadas à proteção de praias.
A tecnologia aparece, na visão da executiva, como um instrumento transversal para alcançar as novas metas. A empresa pretende utilizar inovação tanto em processos industriais quanto no desenvolvimento de produtos e na coleta e integração de informações. Dessa forma, trabalhar em redução de custos, diminuição de riscos, aumento de eficiência ou geração de impacto positivo.
Essa integração também aparece na estratégia hídrica, em que investimentos tecnológicos para reduzir o consumo nas fábricas podem produzir simultaneamente ganhos ambientais e operacionais.
Para Lígia, um dos principais desafios está justamente em medir os impactos dessa abordagem — especialmente na agenda social — e estabelecer indicadores que permitam acompanhar resultados em diferentes mercados.
Green Your City Lab
Um exemplo dessa nova abordagem é o Green Your City Lab, iniciativa lançada recentemente pela Heineken em parceria com o Primavera Sound São Paulo 2026. O projeto transforma o festival, marcado para os dias 5 e 6 de dezembro, em um ambiente de testes para soluções de sustentabilidade voltadas a grandes eventos.
O programa vai selecionar três projetos nas áreas de comportamento, gestão de resíduos e revalorização de materiais. Cada iniciativa escolhida receberá apoio financeiro mínimo de R$ 50 mil, além de acompanhamento técnico, e será testada durante o festival. As inscrições foram abertas para startups, negócios de impacto e organizações da sociedade civil com atuação no Brasil.
A proposta é usar um evento de grande porte como espaço de experimentação para soluções que possam ser avaliadas em condições reais e, posteriormente, aplicadas em outros eventos. O laboratório é realizado por meio da plataforma Green Your City, da Heineken®, com execução da consultoria Quintessa.
Para Lígia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo HEINEKEN no Brasil, a iniciativa exemplifica a tentativa da companhia de aproximar inovação e impacto. A ideia, segundo ela, é que projetos inicialmente desenvolvidos como iniciativas específicas possam ser testados, aprimorados e, quando viáveis, incorporados de forma mais ampla.
Mais Lidas
Fonte: umsoplaneta