Por Urariano Mota — Brasil 247

Diante da luminosa presença do nosso presidente nesta sexta-feira, 25 de setembro, no Recife, tenho que antecipar a minha coluna, pois não conseguirei estar na rua e em casa escrevendo ao mesmo tempo. Há quem escreva direto no celular, mas escrever com tamanha habilidade e talento jamais conseguirei.

Então eu tento estar presente por antecipação, se é que é possível semelhante feitiçaria. Assim, busco uma saída, que pode estar no histórico discurso de Lula na abertura da sessão da ONU, no dia 22 desta semana. E relacionarei com o sentido de pátria dos brasileiros adiante. Do seu discurso histórico, que foi capa de jornais em todo o mundo, menos na mídia do capital do Brasil, destaco:

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino.

Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo.

Vão decidir entre democracia e negacionismo.

Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho”.

Dele vou ao patriota de todos os tempos, o inesquecível Frei Caneca:

“É possível que brasileiros, que homens reputados por patriotas, e que se mostravam tão interessados pelo bem do seu país, sejam agora os primeiros verdugos de seus compatriotas, os opressores de sua mesma nação, os tiranos de sua pátria?”.

A seguir, no Typhis Pernambucano, Frei Caneca escreveu:

“Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe às nuvens, ora se submerge nos abismos; quando levada pelo furor dos euripos, feita o ludibrio dos mares, ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro; um dever sustentar o timão, outro pôr a cara ao astrolábio, ferrar o pano outro, outro alijar ao mar os fardos que a sobrecarregam e afundam, cada um prestar a diligência ao seu alcance, e sacrificar-se pelos cidadãos em perigo.

Firme neste princípio, eu levanto a voz do fundo da minha pequenez e te falo, oh Pernambuco, pátria da liberdade, asilo da honra e alcance da virtude! (…) tu me deste o berço, tu ateaste no meu coração a chama celeste da liberdade, contigo ou descerei aos abismos da perdição e desonra, ou a par da tua glória voarei à eternidade”.

Até os versos imortais:

“Entre Marília e a pátria

Coloquei meu coração:

A pátria roubou-me todo;

Marília que chore em vão.

Quem passa a vida que eu passo,

Não deve a morte temer;

Com a morte não se assusta

Quem está sempre a morrer….”

Então ligo a presença de Lula no Recife neste 25 de setembro ao romance “A mais longa duração da juventude”, quando o personagem Vargas fala:

“Como é bonita a minha cidade. Só agora percebo. Me perdoa, Recife, por ter sido tão brutal. Tu és para mim o mundo, o lugar da fraternidade que ainda não temos. Mas um dia vamos ter, e tu serás a companheira e camarada da revolução. Eu te amo a ti, somente a ti, acima de todas as coisas. Eu te amo como o meu último afeto. Estás acima do que mais amo, a minha pátria”.

Por isso, por tanto e por tudo estaremos caminhando na multidão com o nosso maior presidente. E mais a doce lembrança de chuva e tanajura da infância no bairro de Água Fria.

Fonte: Brasil 247

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