Cientistas eliminaram peixes invasores de 2 lagos de montanha na Espanha; 10 meses depois, anfíbios e invertebrados aquáticos voltaram

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Por Joaquim Luppi FernandesCatraca Livre

A introdução de peixes exóticos causa graves desequilíbrios ecológicos em ecossistemas aquáticos isolados. No entanto, uma intervenção científica pioneira na Espanha comprovou que a erradicação dessas espécies devolve a vida natural aos lagos de montanha, restaurando a água cristalina e a biodiversidade original rapidamente.

O uso controlado da rotenona eliminou espécies invasoras e garantiu um ambiente seguro para o restabelecimento da fauna e da flora locais.

Por que os peixes invasores ameaçavam os lagos de montanha?

Utilizados de forma inadequada como isca viva na pesca esportiva, espécimes do gênero Phoxinus proliferaram sem controle nos lagos Tres Estanys del Mig e Tres Estanys de Baix. Sem predadores diretos, esses animais dominaram o ambiente aquático e consumiram recursos vitais da fauna nativa.

A superpopulação desses invasores devorava ovos de anfíbios e reduzia severamente os pequenos invertebrados que sustentam a cadeia alimentar local. Ao revolver continuamente o sedimento do fundo em busca de comida, os cardumes turvavam as águas límpidas, acelerando a degradação profunda do ecossistema.

Como os pesquisadores conseguiram erradicar as espécies invasoras?

Para conter os danos, pesquisadores do projeto europeu coordenado pelo CEAB planejaram uma intervenção técnica criteriosa. Em setembro de 2025, aplicaram a substância natural chamada rotenona para eliminar os peixes exóticos, garantindo que o tratamento agisse apenas na área delimitada sem contaminar bacias vizinhas.

Diversas embarcações atuaram de forma coordenada para dispersar o ictiocida em diferentes profundidades da coluna de água e nas margens. Essa distribuição minuciosa garantiu a completa eliminação dos cardumes, criando um ambiente seguro para o restabelecimento da natureza e a recuperação dos processos biológicos.

Abaixo, veja o vídeo divulgado pelo canal Parc Natural de l’Alt Pirineu no YouTube com os detalhes da intervenção:

Quais melhorias foram observadas na qualidade da água?

Cerca de dez meses após a intervenção química, as análises de campo registraram um aumento extraordinário na transparência das águas. Sem os peixes remexendo constantemente os sedimentos do leito, a claridade dos lagos alpinos retornou aos padrões históricos, favorecendo a fotossíntese das plantas aquáticas.

A ausência de predação permitiu que microcrustáceos herbívoros se multiplicassem com rapidez nas águas. Esses pequenos organismos filtradores consumiram a concentração excessiva de algas, acelerando a purificação biológica dos lagos e restabelecendo o equilíbrio ambiental rompido pelas espécies invasoras.

Como a vida selvagem nativa retornou ao ecossistema?

O desaparecimento dos predadores exóticos impulsionou uma explosão reprodutiva sem precedentes entre os anfíbios locais. A rã-vermelha, cujos girinos eram raros nas últimas décadas, recolonizou as margens em milhares de espécimes, evidenciando como a vida selvagem responde quando a pressão predatória cessa.

Invertebrados aquáticos que não eram detectados pelos cientistas desde o ano de 2014 voltaram a habitar o fundo rochoso. A recuperação em cadeia atraiu mamíferos carnívoros como a lontra, consolidando o sucesso biológico da operação no parque montanhoso.

Dentre os principais reflexos observados após a eliminação dos peixes exóticos, destacam-se:

  • Recuperação expressiva da transparência da água nos dois lagos;
  • Retorno em grande escala de anfíbios como a rã-vermelha em densidades históricas;
  • Reaparecimento de invertebrados aquáticos que não eram avistados desde 2014;
  • Visitas de predadores de topo como a lontra para forragear nas margens recuperadas.
A ausência de predadores exóticos permitiu o retorno em massa de anfíbios, invertebrados e predadores de topo aos lagos alpinos.

Qual é a importância desse resultado para a conservação global?

O êxito alcançado nos Pireneus estabelece um modelo científico pioneiro para a gestão de áreas protegidas em todo o continente europeu. Os dados demonstram que intervenções planejadas conseguem restaurar ecossistemas de alta montanha, revertendo a crise provocada pela introdução acidental de espécies exóticas.

Essa experiência prática fortalece novas diretrizes de preservação que buscam proteger refúgios aquáticos vulneráveis contra ameaças antrópicas contínuas. Ao demonstrar que a resiliência biológica pode renascer em menos de um ano, o projeto comprova a eficácia de ações focadas na sustentabilidade planetária.

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Fonte: Catraca Livre

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