Assembleia Geral aplaude o estadista Lula enquanto o decrépito Trump clama por saqueio e genocídio

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Por Hora do PovoHora do Povo

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O estadista Lula versus o fascista delirante Donald Trump: dificilmente a tradicional cerimônia de abertura da Assembleia Geral da ONU, com discursos seguidos do presidente brasileiro e do mandatário americano, poderia ter sido mais emblemática dos desafios com que a humanidade se defronta, com tal chefe do Império em meio às guerras, sanções, violações do direito internacional, crise ambiental e irrupção da inteligência artificial.

Enquanto Lula foi aclamado várias vezes ao explicitar que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e ao fazer seu candente chamado ao multilateralismo, à paz, à soberania, à democracia e à reforma da ONU, os povos do mundo inteiro tiveram de presenciar Trump desse mesmo púlpito clamar pelo genocídio contra o Irã e pela pilhagem do petróleo venezuelano, exaltar suas sanções e tarifaços e prometer recolonizar “o quintal” sob a doutrina Monroe, além de se gabar da perseguição xenófoba e racista aos imigrantes, no que diz ser a “era de ouro da América”.

A repercussão do discurso de Lula, inclusive dentro dos Estados Unidos, reflete o fato de que foi a voz do Sul Global, do mundo multipolar que está nascendo e do projeto de futuro compartilhado para a humanidade, bem como por ser um poderoso contraponto a Trump, ao negacionismo e à insistência na ditadura unipolar americana sobre o planeta.  

De que Trump estaria falando, senão em extermínio, ao declarar na organização criada para garantir a paz e a segurança entre os povos, que está decidindo se deve “aniquilar a República Islâmica” (Irã) e “empurrá-la para o inferno sem chance de sobrevivência”? Desde Hitler, não se ouvia nada tão claro e horripilante – mesmo se tratando de um presidente que alega ter sua “própria moralidade”.

Ou sua proclamação, sobre o sequestro do presidente Maduro e posterior saqueio de 21% das maiores reservas de petróleo do mundo, de que “aos vencedores os espólios”? Aliás, desmascarando sua pretensa caçada ao narcotráfico que, como visto, foi só um biombo para a pilhagem do petróleo. E que em outros lugares tem como alvo as terras raras.

Ou sua ameaça a Cuba, sob cerco naval para impedir que receba petróleo, o insumo mais essencial da vida moderna, num agravamento sem precedentes do bloqueio contra a ilha, cuja revogação é exigida quase unanimemente há três décadas pela Assembleia Geral exige revogação.

Ou sua exigência de que os países cúmplices dos EUA aumentem seus gastos militares para 5% do PIB, enquanto o mundo atinge um recorde de conflitos armados?

A Carta da ONU foi assinada em São Francisco em 26 de junho de 1945, sete semanas após a rendição da Alemanha nazista, “para salvar as gerações futuras do flagelo da guerra, que duas vezes em nossa vida trouxe uma tristeza incalculável à humanidade.” Seu Artigo 2 obriga todo membro a “abster-se em suas relações internacionais da ameaça ou uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado.”

A bem da verdade, além da arrogância, Trump prima pelo ridículo, como se atribuir ter “acabado com oito guerras” ou de um QI assombroso.

Já Lula afirmou que “somos chamados a optar entre: – multilateralismo ou unilateralismo; – democracia ou extremismo; – soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um Estadista”.

“Os países da região conheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou Lula.

Em Cuba – ele acrescentou – o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais.

“O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”.

“O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista.”

“Num mundo interdependente, liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade. Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade. Alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de estado”.

Lula condenou o genocídio em Gaza e os assentamentos ilegais na Cisjordânia, pediu a solução dos Dois Estados, chamou a retornar o Estreito de Ormuz à condição de passagem vital para o comércio internacional e convocou uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia. “Ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio”, sublinhou.

Quanto ao pretexto do crime organizado, Lula apontou que o Brasil não subestima a questão, “mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.”

“Os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos. A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas”, reiterou o presidente brasileiro.

Lula convocou a “retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo”. “Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da COVID-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas. Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis. Até pouco tempo, a resposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional. Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, foros que reúnem os maiores emissores de carbono tomados pelo negacionismo”.

“O Brasil vem demonstrando que é possível aliar crescimento econômico com redução de emissões. Conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como as da Margem Equatorial. Não renunciaremos à agenda ambiental.”

“O Brasil é referência mundial em energia verde. Temos os minerais críticos e as terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética. Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”.

“Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial. Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência. Estão promovendo uma corrida sem freios éticos à revelia da ONU e do Painel Científico sobre Inteligência Artificial”.

“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”.

“Existe, em todo o mundo, um anseio legítimo por mudanças. Mas mudar não é subtrair direitos. Não é reeditar teorias de supremacia racial ou de submissão feminina. Não é recolonizar o Sul Global. Mudar é avançar para um futuro de mais participação e mais conquistas. É criar e compartilhar soluções públicas efetivas para os desafios do desenvolvimento por meio de um Estado democrático, forte, eficiente e capaz. É apostar no espírito de solidariedade e na cooperação com a África, a Ásia e a América Latina e Caribe”.

“A ONU nasceu sob o signo da esperança”, lembrou Lula, que apontou que ao longo de oito décadas ela contribuiu com “a descolonização, promoveu os direitos humanos e apoiou o desenvolvimento sustentável. Protegeu migrantes e refugiados, condenou o racismo, o antissemitismo e a intolerância religiosa. Conquistas de homens e mulheres que se recusaram a aceitar a guerra como destino, o colonialismo como direito, o apartheid como sistema legítimo”.

Lula concluiu com uma mensagem aos brasileiros. “No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”.

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Fonte: Hora do Povo

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