Banco Central reduz previsão do crescimento do PIB para 1,8% em 2026
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 e indicou nova desaceleração da atividade econômica em 2027. A revisão foi divulgada nesta quinta-feira (24), no Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre.
A autoridade monetária atribuiu o corte na estimativa aos primeiros indicadores do terceiro trimestre, que apontam desempenho mais fraco da economia do que o previsto anteriormente, e a uma “composição menos favorável do crescimento no segundo trimestre”.
No relatório, o BC afirmou que o resultado geral do PIB ficou ligeiramente acima do esperado, mas destacou que a expansão se concentrou em áreas menos ligadas ao ciclo econômico. A autoridade monetária citou, especialmente, a agropecuária e a indústria extrativa como os segmentos que tiveram desempenho positivo.
Por outro lado, setores mais sensíveis ao ritmo da economia e o consumo das famílias tiveram resultado abaixo do esperado. “Embora o resultado agregado do PIB tenha superado ligeiramente o esperado, as surpresas positivas concentraram-se em segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico, notadamente a agropecuária e a indústria extrativa. Os setores mais cíclicos da oferta e o consumo das famílias, por sua vez, surpreenderam em sentido oposto”, informou o Banco Central.
A avaliação indica que, apesar de o PIB ainda apresentar crescimento, a composição da atividade preocupa o BC. Isso porque segmentos como consumo das famílias, comércio, serviços e indústria de transformação tendem a refletir de forma mais direta as condições de renda, crédito, juros e confiança na economia.
A nova projeção reforça a leitura de perda de fôlego da atividade econômica ao longo do ano. O Banco Central passou a considerar que os dados mais recentes sugerem um crescimento menos disseminado entre os setores produtivos, com maior peso de áreas específicas e menor contribuição dos componentes mais ligados à demanda interna.
O Relatório de Política Monetária é um dos principais documentos usados pelo BC para apresentar sua avaliação sobre inflação, juros, atividade econômica e cenário externo. A publicação também serve como referência para explicar as decisões de política monetária adotadas pela instituição.
Com a redução da estimativa para 2026, o Banco Central sinaliza cautela em relação ao ritmo de expansão da economia brasileira e vê continuidade da desaceleração no próximo ano.
Fonte: Brasil 247